23.9.07

Poema para Elis

Não tenho a menor idéia de quantos de nós morrem na primavera
Nem me interessam quantas flores nascem, já desnutridas...
Na verdade não gosto de números
nem de olhar pela janela na hora errada:
- Vai que o ônibus já passou!

Vamos de carona
E assim é o jeito de descobrirmos o mundo juntos
Como se a vida fosse um filme americano
Sem legendas.
- Tá na hora de aprender inglês!
E quem sabe ouvir Caetano cantar de novo.

É preciso fazer um poema para Elis
Um poema que seja quase só pensamento
Pluma e vento, entardecer, um poema
que voe no ar
e aéreo pleno aeroplano.

O vento, Bauru. Meu estômago vazio, bauru.
Tenho medo de ser brinquedo nas mãos de Deus
E no fundo ninguém me compreender.
- É, nasci no planeta errado!

O vento, beleza americana, agora com legendas:
- Será que Antonio foi primo de Rodrigues Alves
ou se encontram apenas por coincidência?
(Dá vontade de dormir no embalo
do mundo que gira)

Um dia quero conhecer o santo que não precisa de óculos para enxergar longe
Quem sabe até enxergar longe que nem ele
Só pra poder ter olhos de poeta
e fazer um poema pungente
cheio de amor.

3 comentários:

Tati disse...

Adorei esse poema!!!!!
Ainda mais quando me faz lembrar de "Baby", que tanto me faz sorrir.

giovanna longo disse...

Só pra poder ter olhos de poeta
e fazer um poema pungente
cheio de amor.

Queria ter olhos de poeta. Me empresta seus óculos?

Elis disse...

Como eram doces nossos dias de cocodrilos.
Eu tinha o poema colado com durex na sala do 11A. Quando empacotei minhas coisas pra ir embora, com todo cuidado, separei a folha de sulfite e guardei o papel numa caixinha. O AMIGO permanece no coração.
Beijos