13.7.05

Casa de Bonecas

Era uma vez um turista. Lindo como todo turista: olhar curioso, máquina fotográfica dependurada ao pescoço. Olhar curioso, dizia eu. Olhar que gira trezentos e sessenta graus, e mais giraria se houvesse, para compreender aquela atmosfera estrangeira onde se está.

Um dia o turista resolver visitar uma casa de bonecas. E ficou assustado porque ali os bolos eram de padaria. Sentiu-se tão turista ali que, impudico, tagarelou, tagarelou, tagarelou. Falou alto, sentiu-se à vontade e sem compromisso em bancar o boneconense, afinal, graças à Deus, não era dali.

Na casa de bonecas a louça estava sempre lavada, mesmo aos feriados e dias santos. Na casa de bonecas não havia internet, cachorro, fliperama, rodízio de pizza e, muito menos, gente de verdade.

Ele não tirou fotos de lá.

2 comentários:

marta disse...

adorei este post,adorei!nas tuas palavras,nas tuas frases,nos teus textos existe algo que me fascina e que eu aprecio imenso,nao so em ti mas,por exemplo a nivel literario mesmo,em textos,livros que leio:)
peço desculpa por nao ter vindo aqui mais cedo mas,nao tenho tido a inspiraçao necessaria para te visitar:)mas aproveito para dizer que vou continuar a visitar te!
obrigada pelo comentario,
abraço,
marta.

parla marieta disse...

Mas a sua casa de bonecas não poderia ser melhor descrita.
eu também não tiraria fotos de lá.
Onde já se viu?
Você é um gênio.
Beijos