28.7.05

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O sapateiro Alcebíades sabia tudo de sapato. Sozinho no escuro de sua cama, pensava em tachas e preguinhos, antecipando o sonho da noite-a-noite.

Se via um fantasma, logo tropeçava em pensamento. Era desse mundo que colhia as flores e as plantava depois no jardim do castelo. Era desse mundo que sacolejava que nem as meninas que fazem ponto na esquina. Era desse mundo que os cachimbos não podiam ser fumados nem ouvidos e a única música que havia era o barulho da labuta a martelar.

O sapateiro Alcebíades, com seus anseios absurdos, tinha uma invisível capacidade de chorar. Como se fosse um aviso ou um destempero; como se fosse um chafariz que externava seu estresse diuturno.

3 comentários:

Carol... disse...

Hola..
Saludos :D

grzl disse...

mais uma vez gostei muito.
um abraço
graziela

parla marieta disse...

Chorar lava a alma.
E lava o olho também.
Mas achei tão lindo esse post...