13.12.07

ménage à trois

Eram três horas da tarde quando a conheci numa terça-feira. Chovia forte mas o que escorria dos olhos dela eram lágrimas enxugadas pelas palavras belas que escorriam mais forte ainda da minha boca. A sabedoria popular diz que um incêndio se apaga com fogo de encontro; eis o princípio, aliás, da homeopatia.
Trocamos telefones e promessas de nos vermos novamente. Quando cheguei ao meu prédio, percebi que o elevador seria incapaz de elevar a minha dor à enésima potência, porque esta já estava em seu infinito máximo. Mas dava um gostinho de saudade. Quando entrei em meu apartamento, fiquei em dúvida: “aperta ou aumento?” mas abri a janela e respirei o ar fétido que emana da rua logo abaixo e seus carros fumantes. As placas de PARE deviam conter advertências do Ministério da Saúde.
Na quarta tinha um recado dela na caixa postal. Liguei de volta:
- Não, não era nada não. Só queria dizer um oi... – respondeu-me, com os olhinhos brilhando como pude perceber, mesmo ao telefone. Ao fio, conversamos horas a fio sobre as maiores banalidades, era de se esperar. Três horas e três minutos, como constatei, com a precisão britânica inerente à minha personalidade, no rádio-relógio.
Decidimos ir ao cinema na quinta-feira, aproveitando o feriado. Um sorvete para apaziguar o calor exterior e interior, matinê porque não agüentaríamos esperar até a noite para nos vermos e o filme era só pretexto para mais um encontro. Sessão das três. Uma leve sensação de que não prestamos atenção no que passava na tela:
- A que filme assistimos mesmo?
Mandei-lhe flores na sexta, ou uma cesta de flores. Sim, sou do tipo romântico, esta espécie em extinção. Não chego a fazer melodramas, evito ser piegas, mas tenho certeza que toda mulher gosta de flores, bombons e outros regalos que lhes caem tão bem. Ainda mais se temperados com um dedinho de paixão.
No sábado ela veio dormir em meu apartamento. Da janela aberta do meu quarto podia se ver a lua olhando para nós, com uma pontinha de inveja.

Eram três da madrugada e convidei a lua para participar do amor.

Um comentário:

Giovanna disse...

não é bobo, é inocente.