20.4.08

Um brasileiro chamado Valdivia

Depois de anos de desarranjos, em 2008 voltou a ser bonito ver o Palmeiras jogar bola. E é bom dizer isso após termos eliminado o peculiar time que tem um atacante que troca os pés pelas mãos e um goleiro que insiste em usar os pés. Mais duas semanas e, espero, estarei gritando o “campeão” há muito entalado da garganta.

O Palmeiras se garante porque tem Marcos operando milagres debaixo das traves e uma segura zaga com Henrique e Gustavo. O Palmeiras funciona porque tem dois alas que apóiam muito bem os ataques pelas laterais, Elder Granja e Leandro. O Palmeiras se organiza porque tem Martinez, Pierre, Wendel, Léo Lima, Diego Souza. O Palmeiras apronta porque tem Alex Mineiro, Kléber, Lenny, Denílson e, principalmente, Valdivia.

Ah, o Valdivia. Jorge Luis Valdivia Toro, simplesmente El Mago. Vinte e quatro anos, chileno nascido na Venezuela, conquistou os exigentes torcedores alviverdes. Com sutileza, desequilibra. Com elegância, enfeita. Com leveza, dribla, dribla e irrita os adversários. Com habilidade, define. Caçado em campo por botinudos que, na falta de talento, apelam para a força, vai cavando seu espaço. E, a cada finta, arranca aplausos do torcedor alviverde e admiração de todos os que gostam de futebol bem jogado.

Em nefastos tempos em que as estrelas nascidas no Brasil são cada vez mais cedo exportadas para o Velho Mundo, Valdivia brilha sozinho nos gramados canarinhos. Com sua ginga, é o mais brasileiro dos jogadores brasileiros da atualidade.

Fosse ele escritor, seria um Guimarães Rosa, cheio de neologismos palatáveis. Fosse músico, seria Tom Jobim. Ator, um Paulo Autran. Mas Valdivia é futebolista. E seu belo futebol nos resgatou. Como é bonito ver o Palmeiras jogar.

2 comentários:

Anna disse...

Muito interessante o seu site!Mesmo.
Obrigada por sua visita «Ao Lugar do Ouro».

Giovanna Longo disse...

faltava mesmo uma reflexão futebolística por aqui.