11.8.07

Pequeno texto acerca dos negócios (ou como simplificar o mundo que anda tão complicado)

Meu negócio é vender palavras. O negócio de uma construtora é vender prédios. Para unirmos esses dois pontos, precisamos de intermediários. O negócio dos intermediários é ganhar dinheiro fazendo pontes. São muitos. São muitas. Pontes são construídas por algumas pessoas tristes para que outras se atirem lá de cima.

Para comprar um pedaço de um prédio, primeiro preciso buscar um corretor. O negócio do corretor é vender conversa-fiada. No caso, em sua lábia estão embutidas as vantagens da aquisição de um pedaço de um prédio. Da incorporadora, já que seu negócio é justamente vender esses pedaços. Compro um.

Para pagá-la, preciso de dinheiro. Recorro ao banco. O negócio do banco é vender dinheiro. Bem caro. Para conseguir comprar dinheiro do banco, como não entendo nada de papelada, é preciso contratar um agente. No caso, uma agente. Agentes são pessoas cujo negócio é vender atalhos. Porque conhecem gente aqui e acolá e, mais importante, têm tempo para não se estressarem com a burocracia das coisas. São profissionais da chatice.

No meio do caminho há as máquinas de xerox - que têm como negócio vender cópias -, os gerentes de banco e seu negócio de enrolar clientes, as atendentes de telemarketing e seu negócio-mania de deixar a todos esperando com uma musiquinha renitente. E tem a religião, cujo negócio é nos lembrar de Deus. E tem Deus. O negócio de Deus é salvar o mundo. Meu mundo: um apartamento financiado.

Depois entrarão em cena o marceneiro mercenário - e seu negócio: dar um acabamento a árvores mortas para que elas caibam na sala de estar -, o carinha da mudança - e seu negócio de quebrar espelhos no leva-e-traz - e até as Casas Bahia - que têm um negócio maneiro de vender tudo à prestação.

Para isso tenho de vender mais palavras. Por falta de opção, já que não sei nem definir outras coisas.

2 comentários:

mana disse...

e depois disso tudo você vai querer morar comigo?

Mana disse...

e depois de depois disso tudo você ainda vai querer morar comigo?