29.9.06

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Vírgula no meio, ponto no final da frase. Era sempre assim. Às vezes, ela aparecia, sumia, tornava a aparecer. Noutras era só ele. Soberano. Repetitivo. Renitente. Ela era a mulher, alongava a conversa, fazia uma pausa sutil, quase sensual. Ele, o homem. Seco. Ríspido. Forte.

Quando se encontraram, por um acidente de gramática ou uma dobra da língua portuguesa, o ponto jogou a vírgula na cama, despiu-a e logo partiu para cima. Ela cedeu. Amaram-se, armaram-se; criou-se um novo problema na cabeça dos escritores: por que ponto e vírgula, meu Deus?

5 comentários:

Bruno Pessa disse...

faz sentido, mas vejo no ponto e vírgula a útil demarcação da pausa mais forte que a da vírgula e mais fraca que a do ponto final. tudo bem que eu uso mais o travessão do que o ponto e vírgula, mas aí cada um faz sua escolha...

Giovanna Zanatta disse...

Hahaha, adorei! O Henrique já tinha comentado comigo uma vez dessa dúvida de vocês dois sobre para que afinal serve o ponto e vírgula. Na verdade, eu até tenho uma simpatia, um pouco discreta talvez, por esse sinal gráfico. De qualquer maneira, seu texto é muito criativo; gostei principalmente da descrição da personalidade de um e de outro. :)

Débora disse...

Os relacionamentos são complexos mesmo. É difícil compreendê-los e saber o momento de vivê-los.

Senti um leve machismo nessa sua descrição.. :P

Zebra disse...

É porque o ponte e vírgula trnscendem o lógico e o fisiológico. E como quando você, ponto, pega a vírgula, amassa, argamassa, e ponto. Não tem função, mas tá aí; às vezes ajuda, às vezes atrapalha e outras compromete.

Achei ótimo o que escreveu!

Abração,

Z...bra

Zebra, disse...

(revisada a porquice)

É porque o ponto e vírgula transcendem o lógico e o fisiológico. É como quando você, ponto, pega a vírgula, amassa, argamassa, e ponto. Não tem função, mas tá aí; às vezes ajuda, às vezes atrapalha e outras compromete.

Achei ótimo o que escreveu!

Abração,

Z...bra