25.6.09

Meu livro é uma vida aberta #5

CINCO DE JUNHO

A música e seus encantos. O olhar e sua sedução. O beijo e seu medo. A ausência, a dor, a vontade, o pânico, a saudade.

QUATRO DE JUNHO

Shopping Light, centro de São Paulo, cidade que amo com devoção e ódio. O painel eletrônico traz notícias três dias atrasadas. O lanche vem frio e entardecido. A música chega leve e desafinada. Os casais parecem felizes com seus beijos longos de outono. A toalha da bandeja não me acrescenta nenhuma novidade. A agenda segue difícil e incumprida. O sol já se pôs faz tempo. O silêncio está só dentro de mim.
Notícias atordoam. Porque são.

Instante da estante

TALESE, Gay. Vida de escritor. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

24.6.09

Um quadro às quartas

Lennon & peace, 2009
Obra de Ashkahn Shahparnia (1984- )

Aforismo

Meu livro é uma vida aberta #4

23.6.09

No radinho de pilha



"O bode beijou a cabra
Sarou a dor no pé"

Meu livro é uma vida aberta #3

22.6.09

Para começar a semana

"O legal nos livros é que todo mundo pode ter uma voz, até mesmo os animais. Você pode contar uma história da boca de um pato, de uma criança e até de um narrador invisível."

Ruth Rocha (1931- )

Meu livro é uma vida aberta #2

21.6.09

Domingo, foto

Sem título, 2007
Clique de Luciana Franzolin (1978- )

Meu livro é uma vida aberta #1

Meu livro é uma vida aberta

No decorrer dos próximos dias, republico o ensaio fotográfico Meu Livro É Uma Vida Aberta, atendendo ao apelo de quatro de meus sete leitores. Para quem quiser se situar no espaço-tempo blogal, os posts ganharão a tag "vida aberta".

20.6.09

Porque hoje é sábado

I

Confira
tudo que
respira
conspira

(Paulo Leminski)

19.6.09

Seção da sessão



Doze bilhões de anos em seis minutos.

18.6.09

Instante da estante

MAIAL, Lílian. Enfim, renasci!. Rio de Janeiro: Impetus, 2000.

17.6.09

Um quadro às quartas

Chimeneas, 2006
Obra de Ricardo Siri Liniers (1973- )

16.6.09

No radinho de pilha



"Acende o farol, acende o farol"
(Via Ricardo Lombardi)

Pequena declaração

Se você cabe
Em cada sonho
Que não se acabe.

15.6.09

Para começar a semana

"Eu só escrevo o que estou sentindo de verdade."

João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro (1941- )

14.6.09

Domingo, foto

Sem título, 2007
Clique de Luciana Franzolin (1978- )

13.6.09

Porque hoje é sábado

Acordar, viver

Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?

Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?

Ninguém responde, a vida é pétrea.

(Carlos Drummond de Andrade)

TRÊS DE JUNHO

Alguns dias são mais complicados que outros.

12.6.09

Seção da sessão



Pela consciência alimentar.

DOIS DE JUNHO

A noite cai avançada.
Do outro lado da rua, luzes acesas em um prédio invejoso denunciam o serão prolongado.
Lembro-me de Bauru, onde as repúblicas vizinhas tinham um código luminoso próprio para as madrugadas. (Ao menos em minha cabeça, as coisas funcionavam assim.)
Entre acenderes e apagares, o tempo passou duro para mim. Anos depois, não sou nem metade do homem que sonhava ser.
Escorre uma pequena -- mas cruel -- lágrima de desespero. Pontiaguda.

PRIMEIRO DE JUNHO

À minha frente, enquanto faço o impossível para o relógio correr doidamente, um casal não tão jovem assim se amassa gostoso. Tem um mundinho próprio para ele. É singular, posto que não sou capaz de identificar onde está o começo de um corpo, onde parece terminar o outro.
Então me lembro que ainda existem paixões de verdade. E, não, não me refiro a amor, necessariamente.

TRINTA E UM DE MAIO

Existisse a possibilidade de rastrear pensamentos e maledicências alheias, jamais durariam os relacionamentos afetivos. O ser humano é idiota, pusilânime, medroso. Capaz de manter dentro de si uma gradação de sentimentos díspares e, muitas vezes, dicotômicos entre eles. Cada vez mais acredito na vida como obra de ficção. Das bem ruins e sem happy end.

11.6.09

TRINTA DE MAIO

Se morrer resolvesse, o mundo estaria mais leve. O diabo é que as pessoas partem, os problemas ficam. Não tem jeito: nós, que restamos, enquanto restamos, somos obrigados a conviver com uma série infinita de questões que nem sequer criamos.