25.6.09
CINCO DE JUNHO
A música e seus encantos. O olhar e sua sedução. O beijo e seu medo. A ausência, a dor, a vontade, o pânico, a saudade.
QUATRO DE JUNHO
Shopping Light, centro de São Paulo, cidade que amo com devoção e ódio. O painel eletrônico traz notícias três dias atrasadas. O lanche vem frio e entardecido. A música chega leve e desafinada. Os casais parecem felizes com seus beijos longos de outono. A toalha da bandeja não me acrescenta nenhuma novidade. A agenda segue difícil e incumprida. O sol já se pôs faz tempo. O silêncio está só dentro de mim.
23.6.09
22.6.09
Para começar a semana
"O legal nos livros é que todo mundo pode ter uma voz, até mesmo os animais. Você pode contar uma história da boca de um pato, de uma criança e até de um narrador invisível."Ruth Rocha (1931- )
21.6.09
Meu livro é uma vida aberta
No decorrer dos próximos dias, republico o ensaio fotográfico Meu Livro É Uma Vida Aberta, atendendo ao apelo de quatro de meus sete leitores. Para quem quiser se situar no espaço-tempo blogal, os posts ganharão a tag "vida aberta".
20.6.09
19.6.09
18.6.09
17.6.09
16.6.09
15.6.09
14.6.09
13.6.09
Porque hoje é sábado
Acordar, viver
Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.
Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?
Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?
Ninguém responde, a vida é pétrea.
(Carlos Drummond de Andrade)
Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.
Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?
Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?
Ninguém responde, a vida é pétrea.
(Carlos Drummond de Andrade)
12.6.09
DOIS DE JUNHO
A noite cai avançada.
Do outro lado da rua, luzes acesas em um prédio invejoso denunciam o serão prolongado.
Lembro-me de Bauru, onde as repúblicas vizinhas tinham um código luminoso próprio para as madrugadas. (Ao menos em minha cabeça, as coisas funcionavam assim.)
Entre acenderes e apagares, o tempo passou duro para mim. Anos depois, não sou nem metade do homem que sonhava ser.
Escorre uma pequena -- mas cruel -- lágrima de desespero. Pontiaguda.
Do outro lado da rua, luzes acesas em um prédio invejoso denunciam o serão prolongado.
Lembro-me de Bauru, onde as repúblicas vizinhas tinham um código luminoso próprio para as madrugadas. (Ao menos em minha cabeça, as coisas funcionavam assim.)
Entre acenderes e apagares, o tempo passou duro para mim. Anos depois, não sou nem metade do homem que sonhava ser.
Escorre uma pequena -- mas cruel -- lágrima de desespero. Pontiaguda.
PRIMEIRO DE JUNHO
À minha frente, enquanto faço o impossível para o relógio correr doidamente, um casal não tão jovem assim se amassa gostoso. Tem um mundinho próprio para ele. É singular, posto que não sou capaz de identificar onde está o começo de um corpo, onde parece terminar o outro.
Então me lembro que ainda existem paixões de verdade. E, não, não me refiro a amor, necessariamente.
Então me lembro que ainda existem paixões de verdade. E, não, não me refiro a amor, necessariamente.
TRINTA E UM DE MAIO
Existisse a possibilidade de rastrear pensamentos e maledicências alheias, jamais durariam os relacionamentos afetivos. O ser humano é idiota, pusilânime, medroso. Capaz de manter dentro de si uma gradação de sentimentos díspares e, muitas vezes, dicotômicos entre eles. Cada vez mais acredito na vida como obra de ficção. Das bem ruins e sem happy end.
11.6.09
TRINTA DE MAIO
Se morrer resolvesse, o mundo estaria mais leve. O diabo é que as pessoas partem, os problemas ficam. Não tem jeito: nós, que restamos, enquanto restamos, somos obrigados a conviver com uma série infinita de questões que nem sequer criamos.
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