4.2.07

Pelo avesso

Dentro da geladeira, congelou. No forno, assou. Óbvio assim. Quando caminhava pela cozinha, fingiu que evaporaria e quedou-se: taciturno como um espirro de mudo, lento lento lento como quem lendo Guimarães Rosa. Era camaleão.

Asfixiado, afixado, aficionado, afiado, uma afronta aos paradigmas pré-enraizados na vertigem doce de ser casa. Não sou daqui, diz. Não quero ficar aqui, diz. Não sei o que vim parar aqui, diz. Não, não, não, diz mais alto. E então se acorcunda de viés e rasga as roupas próprias vermelhas e quase rasga a pele também mas pára. Não adianta tanto assim brigar consigo mesmo.

Amanhã estará no jornal, em letras garrafais de primeira página, mas no jornal popular, sensacional, estrago. Amanhã estará no jornal, talvez até com foto sangrenta e tudo, a história do estrangeiro que de tanto se adaptar virou morto. Porque o desespero mata de suicídio.

2 comentários:

hedendai131 disse...

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Giovanna Longo disse...

Oba, quebrou o jejum.
Concordo plenamente com a sua última sentença. A pergunta é: o que fazer para afastar o desespero?
Beijo