Ninguém mais liga para
bomba atômica
teletransporte
foguetes para a lua.
O futuro não veio,
não chegou.
Ninguém mais se importa com
reforma agrária
controle populacional
fim da inflação.
O futuro ficou
nos livros velhos,
nas revistas amareladas,
nos almanaques do passado.
Ninguém mais se preocupa
com androides
nem robôs
nem comigo.
O futuro não veio,
não chegou.
Ou pior:
chegou
viu
riu
arrependeu-se
e voltou embora para nunca mais.
20.9.12
8.8.12
poeminha do instante
De repente a moça não estava aqui
Não estava mais
Porque estava onde o chique,
o hit,
o hype era ser
Pseudo-entediada.
De repente a moça não era ali
Não era mais
Porque era o que jamais se imaginara,
o improvável,
o absoluto estar
Pseudo-entediada.
De repente a moça não sabia o quê
Não sabia mais
Porque saber já não tinha o porquê,
o desdém,
o desejo de ficar
Pseudo-entediada.
10.7.12
Oração
Não há segredo. Nem tudo o que agrada, agride. Nem tudo o que degrada, estraga.
O que secreta, entretanto, atiça, maltrata de bem, solapa o que deseja, seja, beija.
Amém.
2.5.12
Aqui, lá, aquilo lá
Odeio aqui. Quero lá.
Sobre abraços, sobrados, cadernos e arames:
- Quero-quero.
Odeio aqui. Quero lá. Outro mundo, outras cabeças, outros planos para o dia de ontem. Porque o amanhã, meus caros, já era.
7.2.12
spot
já não sei mais qual é a linha
se emaranhada
ou se arrebem
tou
se tem pipa na ponta
ou se limpa os dentes
por entre os vãos dos
dem
tes
se é linha fina ou adunca
se é corda bamba ou
frouxa
nunca
se emaranhada
ou se arrebem
tou
se tem pipa na ponta
ou se limpa os dentes
por entre os vãos dos
dem
tes
se é linha fina ou adunca
se é corda bamba ou
frouxa
nunca
9.12.11
8.12.11
7.12.11
6.12.11
9.11.11
Falou e disse
E tem expressões bonitas, como a do sujeito que, pode erguê, dizia:
- Tô zarpano.
E vazô na braquiária, feito curisco. Foi um forfé. Quase que deu revertério.
Castele só. Vai veno. Mai não precisa encuiá o pescoço, não. Da moita também se vê, ainda que de revesgueio, de fianco, meio reba, um tanto embramado.
- Xééé que foi. Vi que tava chovendinho, ele não ia não.
- Pois deu piau, foi de quaiá o bico.
- Vô morgá. Num posso com banzé, fico muquiado. E num sô loco de ficá campiano quem empresta a canela do veado.
- Tô zarpano.
E vazô na braquiária, feito curisco. Foi um forfé. Quase que deu revertério.
Castele só. Vai veno. Mai não precisa encuiá o pescoço, não. Da moita também se vê, ainda que de revesgueio, de fianco, meio reba, um tanto embramado.
- Xééé que foi. Vi que tava chovendinho, ele não ia não.
- Pois deu piau, foi de quaiá o bico.
- Vô morgá. Num posso com banzé, fico muquiado. E num sô loco de ficá campiano quem empresta a canela do veado.
5.4.11
28.12.10
No radinho de pilha
"Won't you get hip to this timely tip:
When you make that California trip
Get your kicks on Route Sixty-Six"
16.12.10
2.12.10
30.11.10
inquietude
vivo de contagens regressivas, doutor
é grave
sei que é grave
do tipo de gravidade que até ecoa
- ave, ave, ave...
vivo de reminiscências nubladas, doutor
é triste
sei que é triste
do tipo de tristeza que até parece
um chiste.
vivo de presentes repreensivos, doutor
é fato
sei que é fato
e ponto.
é grave
sei que é grave
do tipo de gravidade que até ecoa
- ave, ave, ave...
vivo de reminiscências nubladas, doutor
é triste
sei que é triste
do tipo de tristeza que até parece
um chiste.
vivo de presentes repreensivos, doutor
é fato
sei que é fato
e ponto.
22.11.10
10ânimo
com o olhar amanhecido
o poeta nem mais sorri:
pede alforria
de toda mais-valia
nem todo ganha-pão
porque entre sim e não
com o corpo anoitecido
a vida era para ter sido
e não foi, não foi, não foi.
pede alforria
o poeta
pede alforria
e decreta:
sem estrela nem vela
nada que valha a pena.
o poeta nem mais sorri:
pede alforria
de toda mais-valia
nem todo ganha-pão
porque entre sim e não
com o corpo anoitecido
a vida era para ter sido
e não foi, não foi, não foi.
pede alforria
o poeta
pede alforria
e decreta:
sem estrela nem vela
nada que valha a pena.
10.11.10
9.11.10
6.11.10
sem eco
tudo o que eu precisava
era fechar para balanço
como se houvesse
feito ranço
um encanto
que pronto se espreguiçasse
na minha vida de quebrantos
não há, mas.
era fechar para balanço
como se houvesse
feito ranço
um encanto
que pronto se espreguiçasse
na minha vida de quebrantos
não há, mas.
2.10.10
Dosafetos
em que não creio
só leio
e range meu ventre
sedento sempre
como uma dobradiça gasta
velha massa
corpórea
inútil
coleciono bênçãos
feito sacristão
apavorado
em que não creio
só leio.
só leio
e range meu ventre
sedento sempre
como uma dobradiça gasta
velha massa
corpórea
inútil
coleciono bênçãos
feito sacristão
apavorado
em que não creio
só leio.
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