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31.3.10
3. Reformulação - O "InVerso" - InForma
Ed ora, andiamo a mangiare: o macarrão é, sem dúvida, a parte mais suculenta e nutritiva de InVerso. Macarrão, no jargão jornalístico, é aquela folha que fica solta no jornal, quando o número de suas páginas não é múltiplo de quatro. Em revista nunca há macarrão – mas alguém aqui está preocupado em manter a normalidade? Obrigado pelo “não” gordo e sonoro.
30.3.10
3. Reformulação - O "InVerso" - InForma
Depois dessa leve digressão, voltemos às “Páginas Amarelas” (verdes). Só ao virar a folha o leitor se dará conta de que o entrevistado é ele mesmo, famosinho-da-silva, lindamente emoldurado num espelho simbólico (simbolizado simbolicamente por retângulos de papel laminado, R$ 0,45 a folha – mas a gente nem usou uma folha inteira!). Esta idéia estapafúrdia brotou em virtude de uma inquietação dos jornali(ri)stas (ir)responsáveis pelo projeto: toda essa onda pós-pós-moderna de interatividade é falsa e, ademais, Adenil, não faz com que o leitor reflita sobre si mesmo. (Reflexão, reflexo, espelho... sacou a jogada?). As perguntas, poeticamente formuladas, certamente farão com que o entrevistado pense em coisas nunca dantes por ele pensadas. Como um choque, um tapa, um cutucão, um balde de água quente das termas mineiras...
29.3.10
3. Reformulação - O "InVerso" - InForma
Fotografar o Nada não foi nada fácil. Fisicamente, ele é a ausência do Tudo, seu inencontrável par. O Tudo, como fica fácil inferir, é branco – mas isto não é nenhuma piadinha politicamente incorreta; é tudo culpa de Sir Newton e seu disco-gay (tá bom, tá bom! essa foi politicamente incorreta – favor encaminhar os dois processos para o Newton!).
28.3.10
3. Reformulação - O "InVerso" - InForma
Em nosso produto à mostra, a primeira “Página Amarela” (verde) cria um suspense em relação à identidade do entrevistado. Quem será ele? Nela, não há fotos do entrevistado, mas há uma do Nada fazendo nada (retângulo preto 18 cm x 12,5 cm). Por que? Bem, tudo indica que, durante a entrevista, o sujeito entrevistado fez alguma declaração a respeito do nada. Apenas quisemos dar uma chance para que ele aparecesse, tão sumidinho que é.
27.3.10
3. Reformulação - O "InVerso" - InForma
Ao escolher este nome, situamos o leitor: ele compreende, imediatamente, inteligente e cult que é, que se trata de uma entrevista. Só que nossas páginas amarelas são verdes. Quebra de estereótipo, né? Elas só amadurecerão quando o leitor agricultor de idéias interagir com elas, completá-las.
26.3.10
3. Reformulação - O "InVerso" - InForma
Intertextualidade. Diálogo. InVerso não é uma ilha cercada de um Mar Morto por todos os lados. “Páginas Amarelas” é o título da seção de entrevistas da revista semanal Veja. E da nossa também.
25.3.10
3. Reformulação - O "InVerso" - InForma
Dica do dia: você nunca conseguirá ler adequadamente os textos impressos nas páginas transparentes sem uma folha branca por baixo. Serve o embrulho do seu pão.
24.3.10
3. Reformulação - O "InVerso" - InForma
Editorial e expediente foram impressos, no produto amostra, em folha transparente. Transparente como nós nos propomos ser. Não porque propagaremos a verdade, somente a verdade, nada além da verdade, doa a quem doer, jurando sobre a Bíblia, amém. Mas porque assumimos de forma explícita que não há verdades absolutas, e sim recortes de real que serviremos ao leitor pra que ele escolha a gravura que melhor caiba em seu quebra-cabeça.
23.3.10
3. Reformulação - O "InVerso" - InForma
Forma – fôrma? Tsc, tsc. Forma – formação. Forma – informação. O suporte de InVerso sugere temas, afirma, complementa. Também ele deve ser lido, interpretado.
22.3.10
3. Reformulação - O "InVerso" - "InVerso" virada do avesso
No índice, apenas uma prévia das matérias. Nada de indicar onde elas se encontram – assim, o leitor folheará toda a revista, parando aqui e ali para absorver o que o atrai, traindo o seu intento de ir diretamente a alguma matéria específica.
21.3.10
3. Reformulação - O "InVerso" - "InVerso" virada do avesso
InVerso não possui referências temporais. O espaço reservado à data apresenta textos que levam ao questionamento da organização espaço-temporal (por exemplo, o texto do produto à mostra: “Aqui, dia-hoje de mês-hoje de ano-hoje”). Além disso, o objetivo é fugir da pontualidade factual, conferindo aos assuntos abordados a perenidade literária. Da mesma forma, o preço da revista e sua numeração não são explicitados. As páginas são numeradas com frases que se assemelham a adivinhações: palavras que remetem ao numeral, ainda que remotamente, e adquirem assim significado mais amplo. Afinal, entre o conteúdo da página e sua numeração lúdica e lúcida (ilúcida) são tecidas relações texto-significado.
20.3.10
3. Reformulação - O "InVerso" - "InVerso" virada do avesso
Ah, claro: o mascote da capa não é o único. InVerso conta com outros três caranguejos, que se encontram espalhados, como o da capa, páginas adentro. Sua função é conferir unidade ao produto, através do princípio da repetição. O mesmo efeito é obtido com a utilização de barrinhas cinza-escritório-de-funcionário-público (Black 50%) em títulos e subtítulos e em algumas seções específicas da revista. A barrinha também serve de base para o alinhamento das fontes e demais elementos da página. Infelizmente, entretanto, a barrinha não é comestível como as de chocolate e de cereal. Ao menos por enquanto.
19.1.10
3. Reformulação - O "InVerso" - "InVerso" virada do avesso
O caranguejo que completa nosso simpático logo também remete à inversão, desconveniência: enquanto muitos se contentam em seguir adiante e o resto em andar de ré a contragosto, o caranguejo docontra vai de lado. Com toda a convicção de suas oito patinhas.
18.1.10
3. Reformulação - O "InVerso" - "InVerso" virada do avesso
Batizada a cria, discutidos seus traços, restava moldá-la, dar-lhe feições. O logotipo foi construído com duas fontes: Bergell Let e Bernhard Fashion BT. A primeira é uma fonte manuscrita, transmite fluência, espontaneidade, a idéia de um rascunho publicado por acaso – como se você estivesse bisbilhotando o caderno de versos de alguém. Bernhard Fashion BT, utilizada apenas para a letra “v”, contrasta com a primeira fonte: é sóbria, econômica, objetiva. Para acentuar ainda mais o contraste, InVerso aparece espelhado, como se a palavra se refletisse de ponta-cabeça. As cores escolhidas para o logotipo são complementares – quer coisa mais síntese do inverso que preto-e-branco, preto-no-branco, branco-no-preto? O retângulo negro que permeia os “vês” (tu vês?) de InVerso no logotipo surgiu para conferir equilíbrio, estabilidade: um inverso seguro, ancorado no real.
17.1.10
3. Reformulação - O "InVerso" - De cabo a rabo
Suporte. Bem, suporte já viu, né? Mandamos às favas qualquer pré-ocupação com factibilidade e grafiquismo. Cansamos de herdar jeans surrados e apertar o cós, descer a bainha. InVerso é uma proposta sinestésica. A-final (sem começo nem fim sem pé nem cabeça), o tato, o paladar, o olfato também apreendem e informam. Assim, a revista propõe que suas páginas apresentem texturas, formatos, cores, cheiros que possuam relação com o texto verbal, ou sejam o texto em si – proposta que não foi inteiramente aplicada ao produto-amostra à mostra devido a limitações técnicas (não conseguimos papel com cheiro nem gosto nem tinta que brilhe no escuro; se tivéssemos, teríamos tido – a idéia compreendia isso!), porém é essencial para a compreensão do projeto.
16.1.10
3. Reformulação - O "InVerso" - De cabo a rabo
InVerso é primeiridade. O sentir, primeiro. Daí sua linguagem, seu suporte, seus temas, suas imagens terem por objetivo tirar fora a venda dos olhares acostumados a pensar que jornal não é lugar pra dor da gente.
15.1.10
3. Reformulação - O "InVerso" - De cabo a rabo
InVerso apresenta seus textos em prosa poética ou verso, linguagem-nascedouro de seu nome, em simbiose com o significado literal da palavra inverso. Linguagem em verso, verso-versado, verso-proseio, inversa e avessa à aridez jornalística que metamorfoseia pessoas em erre-gês, leitura em obrigação para quem tem esforço tempo paciência. Muuuita paciência.
14.1.10
3. Reformulação - O "InVerso" - De cabo a rabo
Assim, nas páginas avessas a ordens pré-estabelecidas (pré-históricas?) da InVerso, os fatos classificados como de “destaque” e merecedores de estampa em tudo quanto é mídia desfilam ao lado de “pequenidades” ignoradas pelas redações tubarônicas.
13.1.10
3. Reformulação - O "InVerso" - De cabo a rabo
InVerso é uma revista mensal cuja proposta é debruçar-se sobre a matéria-prima cotidiano, tantas vezes vista como comum que seus aspectos insólitos, belos ou simplesmente humanos acabam mascarados sob o lodo da desimportância. Manchetar a própria ausência de notícias quando, aparentemente, não houver notícias: não há notícias por quê? Quem amordaça, cala ou esconde e sob quais justificativas?
25.11.09
3. Reformulação - O "InVerso"
Modificar conteúdo, linguagem e – por que não? – suporte é nossa proposta, exemplificada no produto InVerso. Mas como essas modificações são percebidas em InVerso?
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