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8.11.10

Algumas pessoas são improváveis.

23.5.10

em suma, o sono é algo que consome o sumo que somos sem nunca termos sabido.

15.7.09

a simplicidade é mais impressionante do que a própria constatação.

25.6.09

Notícias atordoam. Porque são.

10.6.09

Nuvens

Nuvens, a matéria-prima dos sonhos,
são das coisas mais lindas que já inventaram.

Disformes, matéria-poema das senhas.

Etéreas, mistério-pronto das sanhas.

Gostaria eu de comê-las.

9.6.09

Semana

Domingos têm sol
Segundas fazem sono
Terças contêm trilha sonora
Quartas, silêncio
Quintas são de algodão-doce
Sextas demoram o infinito
Sábados nada sabem.

4.6.09

Poema de duas pernas

no duro espaço amargo
que me consome inteiro
persigo a malícia
e o afago
de ser meio
do jeito que se me vicia.

insone, luto.
finjo que me esqueço
e não mais escuto
toda a dor que sou:
avesso, invejo-me.

sou o homem.

15.5.09

enquanto é só o tempo que passa
o mundo parece um vício.

3.2.09

os desafios não existem mais porque os deuses os inutilizaram.

24.1.09

Um poema

um poema nasce da dor
de sem rima
se contrapor
ao que se via
amor.

um poema pesa tanto
quanto um átomo.

um poema sabe tanto
quanto cabe,
e se não coube
não sabe nada.

um poema é só, é jazz, é aquário quebrado
e água vazando ladeira acima.

um poema não rima.

22.1.09

Para reforçar

Não sabemos nada. Nunca.

17.1.09

Verdadona que nunca aprendi

Um bom dia se faz com alegria.

10.1.09

Bolhinhas de morte

Meu aquário é uma coleção de mortes.
Tristes e lacônicas como um ponto final.
Agônicas como um moribundo.

31.12.08

Porque

Tua companhia, ainda que distante, é infinita.

24.12.08

numeralha

o carro está no h27
são 1h53
cpf? 308.316.790-40
não ultrapasse 120 km/h
tomar 3x ao dia
custa R$ 59,90
leva umas 4h20
acabou 2x1 para o Palmeiras
hoje é dia 24
havia umas 20 pessoas
ande umas 4 ou 5 quadras
à vista ou em 6x sem juros
morreram 31 peixinhos
a saída é no km 226

23.12.08

Retrospectiva introspectiva

Por isso sempre em cada abraço eu tropeço, depois me esqueço. Peço outro verso, outro abraço, outro céu. E me esqueço de novo. Mereço.

Por isso, e não mais que isso, sempre invento um vento que vem do leste, franzino, só pele e osso. Pelo avesso, que é para outro tropeço acontecer. E me esqueço de novo. Mereço.

Por isso sou um seresteiro solitário a enganar os nervos alheios. Servo do verso, raposa de prosa, um sopro que jamais aconteceu. Acontece. E me esqueço de novo. Mereço.

21.12.08

as mentes que escorrem pelo ralo do universo são as mais puras, as mais singelas, as mais adequadas que já existiram neste mundo. isto é sinceridade.

19.12.08

Lembrete

nem tudo que evapora é gás,
nem tudo que escorrega é liquido.

16.12.08

prefiro peixes
que só entendem.

15.12.08

a literatura existe porque é uma arma letal que o homem inventou para assassinar vermes chatos que catimbam contra o pensamento. eu não gosto. prefiro assistir a um filme, ouvir uma música nova ou morrer mais uma vez, daquele jeito que sempre faço.