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31.10.12

Do astronauta

- A vida é tanta, cerca de trinta;
Mais um pouco, e chegaria extinta.

20.9.12

Futuro?

Ninguém mais liga para
bomba atômica
teletransporte
foguetes para a lua.

O futuro não veio,
não chegou.

Ninguém mais se importa com
reforma agrária
controle populacional
fim da inflação.

O futuro ficou
nos livros velhos,
nas revistas amareladas,
nos almanaques do passado.

Ninguém mais se preocupa
com androides
nem robôs
nem comigo.

O futuro não veio,
não chegou.
Ou pior:
chegou
viu
riu
arrependeu-se
e voltou embora para nunca mais.

9.11.11

Falou e disse

E tem expressões bonitas, como a do sujeito que, pode erguê, dizia:

- Tô zarpano.

E vazô na braquiária, feito curisco. Foi um forfé. Quase que deu revertério.

Castele só. Vai veno. Mai não precisa encuiá o pescoço, não. Da moita também se vê, ainda que de revesgueio, de fianco, meio reba, um tanto embramado.

- Xééé que foi. Vi que tava chovendinho, ele não ia não.

- Pois deu piau, foi de quaiá o bico.

- Vô morgá. Num posso com banzé, fico muquiado. E num sô loco de ficá campiano quem empresta a canela do veado.

20.9.11

Ou tudo
Outubro
Eu tento
Atento
Lembrar
Levar
Ler par
Ou ímpar
Outubro
Novembro
Dezembro.

2.7.10

Poeminha incompleto de ontem à tarde

A paisagem mastigava pores-do-sol
ainda que, desmancha-prazeres, o rio irritasse
com o reflexo de sua ponte irradiando sorriso.

Cada tempo com sua coragem. Ridículo.

1.6.10

in fact

denuncia a sombra os ombros de guarda-chuva
a proteger os desejos
a luxúria
os encantos mais desencontrados e inefáveis
por enquanto, doentes.

e cada anúncio fixado na janela
é um poente derramado
para ela
só para ela
que dorme vestida de nua
deitada em sonhos de frente e verso.

dentro da consciência nervosa, em tiques
um universo guardado
bigbangueia eternamente
como se o nascimento fosse uma frequência
e a riqueza se cansasse de tanto gastar
o que ninguém tem.

mas é tudo fricção
mas é tudo ficção
tirante os ombros que se quedam
parecidos com as sombras que tentam
reinventar-se.

17.4.10

a cada pergunta
que assunta
um susto
um bispo
se pergunta
como que assunta

18.8.09

A beautiful place to die in peace

Olhar a chuva molhando meio mundo
Ficar de molho, mudo
Alimentar sonhos velhos de tudo
Ler livros livres vermelhos
Ver melhor os joelhos e as falhas do bispo
Contemplar a alheia sorte da morte de Cristo

Olhar a chuva chorando respingando gotas d'água
Malhar as calhas donde escorrem mágoas
Colher flores e folhas molhadas de chuva
Ficar mudo, de molho
Inverter tudo o que é espelho
Destelhar o telhado entulhado de trapos e traças

Catar piolhos, afogá-los na chuva molhada
Falhar pela última vez com as tralhas
Espalhar espantalhos no trabalho
Olhar nos olhos do malandro melindroso
Escolher colheres e mulheres para o futuro
Apagar a luz, a vela, a lua. Tudo escuro.

Sobretudo olhar a chuva molhando meio mundo
Suas gotas lágrimas são indispensáveis
Para chorar pelo morto, embrulhado na mortalha.

13.8.09

Red flower from my dream

A flor do meu sonho
Tinha pétalas vermelhas que escorriam feito sangue pelo riacho.

A brisa leve batendo em cada olhar, meu e teu
Reverberava emoções compradas num camelô.
- Um sorriso apenas, meu bem! - era tudo o que eu te pedia
Mas tu, incansavelmente fria
Davas-me as costas.

A flor do meu sonho
Ofertada garbosamente como um fraque suíço
Tinha pétalas vermelhas de um amor tão lindo
Que se desfazia, virava éter no ar,
Inebriava o ambiente.

Por que recusaste os meus batimentos cardíacos
Se estavas pronta para morrer de amor e ódio?
Por que jogaste fora a flor que te ofertei
Se bem sabias que peixes não devoram pétalas rejeitadas?

A flor do meu sonho
Tinha pétalas vermelhas que escorriam feito sangue pelo riacho.

E agora, meu Deus, me irrita
Esse tempo que quer chover mas não tem coragem!

25.5.09

Sobre preto e branco

O preto
De dentro
Do beco.

O branco
No canto
Do banco.

Eu, medo.
Eu, manco.

Dentro do beco, no canto do banco, tento, canto
Até voltarem a escorrer os sonhos
Que tanto empresto dos outros
Enquanto espio
Atento
Pela própria fresta
O quanto sofro.

O preto aponta reto. O branco apronta lento.
Minha meta: ser valente.
Um alento: absorver.

O preto olha para o teto. O branco abranda os dentes.
O preto beija, o branco abraça,
O medo afunda.

A princípio, prometo-me.
Mais tarde, esqueço-os.

A noite, a madrugada,
Fotogramas em preto e em branco.
Depois sempre vem o trêmulo contra: a pedra, o atrito, o tropeço, o pranto.

7.5.09

P

pensei um
poema que
pena desa
pareceu.

plantei um
poema que
puto me des
pedaçou.

porquis um
poema que
pronto me
penalizou.

pobre do
poeta que
poema tem
problema.

9.4.09

Impressões

Por fora, é oco;
Por dentro, contorno;
O entorno, louco
apodrece desvidas.

De dia, é pouco;
À noite, adorno;
O retorno, rouco
enriquece meninas.

Queria poder entender o significado
Mas, significante, o eu-mesmo já me supera.

6.2.09

Claridades

O ócio acende a luz.
O cio ascende-a.

***


Era uma vez um facho de luz que queria se tornar feixe de laser quando crescesse.

- E quem disse que luz cresce? - dizia o seu pai Sol, bonachão, e dava-lhe um croque na cabeça.

Mas o fachinho insistia. Insistia. Insistia.

Num belo dia de chuva, acordou assustado. Tinha virado meia-sombra.

***


Bola de meia e a meninada meia-sola disputando outra pelada à meia-tarde.

***


Depois de mais uma meijoada, Meire estava meio enjoada:

- Doutor! Me perdoe! Eu juro que não estou grávida!

***


Confesso que sempre é difícil chegar a um consenso.

Para ela, sexo só à meia-luz. Ele prefere com a claridade plena, o quarto cheio do clarão, o ver dos corpos, as faces do prazer se mostrando claramente.

Para ela, sexo só à meia-luz.

Para ele, nada como a meia-luz para tocar sax. Sozinho.

***


Meia-idade, meia-lua, meio-a-meio.

Medíocre, intermezzo.

Meio-dia. Meia-noite. Meias-verdades.

Meias furadas, meio cansada, meio do caminho.

Mês-a-mês, mesóclise. Mesa. Meio-aliche, meio-mussarela. Não, não: meio-calabresa, meio-quatro-queijos. Meias sujas ou mal-lavadas.

Meio inteira.

À meia-luz.

***


Tinha também aqueles versinhos bobos de "o sol prometeu pra lua patati-patatá", respondido por outra menina com "e a lua prometeu pro sol blo-blo-bló, bla-bla-blá".

Eu preferia a noite. Só pra apagar a luz e, da janela, ficar uivando pra lua cheia.

Desconfio que sempre fui meio lobisomem.

***


Preparei a meia-légua e acertei o bandido de meia-figa
(porque figa inteira ele não merece, claro que não!).

***


Éramos em meia-dúzia mais o pé-de-meia. No meio da jornada um virou cientista:

- Inventei a meia-espessura!

Os outros cinco olhamos, boquiabertos:

- Que maravilha! E seguimos com nossa labuta. Foi quando um outro comprou diploma de engenheiro e desatou a...

- Vou trabalhar com meias-esquadrias.

Os outros quatro olhamos boquiabertos2:

- Noooooossa! E seguimos com nossa labuta, cabisbaixos. Até que um outro outro comprou uma supermochila e saiu gritando:

- Virei alpinista! Estão vendo aquela meia-laranja? Pois amanhã mesmo começo a escalá-la!

Os outros três olhamos boquiabertos3:

- Oh! Oh! Oh! E seguimos com nossa labuta, mais cabisbaixos ainda. Mas logo depois um outro outro outro exclamou:

- Caríssimos: o amor esteja convosco. Quem dentre vós tiver coragem, tomai uma veste de meia-lona e vinde comigo.

Os outros dois olhamos boquiabertos4. O outro outro outro outro virou discípulo e escafedeu-se. Eu sobrei à meio-vôo, só pra lhes contar a história, afinadíssima com todos os seus meios-tons. O pé-de-meia, agora, é só meu.

***


O cio vem à meia-luz.

***


Evidente que a clarividência pertencia, incólume e irrefreável, à Clara. Como a clara era do ovo, o ovo da galinha, e a Galinha, filha de uma puta, era a mulher do corno do Seu Onofre. Também... com um nome desses!

***


Galinha vestia meia-coronha naquela noite em que a penumbra denunciava a indecisão da luz em alumiar as almas. Os postes, um sim, um não, falhavam - coisa de interior fugidio.

"Uma meia-lagarta por aqui seria deveras estranho", pensava eu, narrador-personagem, infiltrado na trama e escondido detrás de um poste apagado.

Até o roteirista sacar a borracha e também me apagar da história.

***


Desenhei uma rosa-dos-ventos e oferecia cada meia-quarta a uma de minhas namoradas, como se eu inventasse um buquê ao contrário, como se eu criasse um ramalhete de pessoas para uma rosa em especial, como se as mulheres todas fossem melhores, não chorassem espinhos e cheirassem bem. Todas elas.

***


Meia meia meia. Meia-entrada, meia elástica, meia-encadernação.

Meio-campo, meia-armador. Meiágua. Meia-irmã:

- Meia-final, meia-estação, meia-esquerda! Meia-direita...

Meia-cara, meia-cana. Cara-metade.

Meia-cancha? Meia canha: meia confecção, mea-culpa.

Meia-colher, meia-tigela.

Meia-noite e meia. Meia-hora.

Meia-calça. Pela metade. Meia-manga. Meia-luva.

Tudo em meias-claridades.

***


A meia-rédea percorri a meia-rotunda do globo. Mas tudo fora meia-tinta, pra dissuadir os meias-praças que buscam as riquezas de minha dentadura.

***


Por meia-pataca, a meia-pontense abriu-me a meia-porta de seu coração tríptico: pai, filho e espírito santo.

***


Meu amor: apanhe sua meia-máscara que amanhã é carnaval!

5.2.09

Confusões

Todo dia eu sou engolido por uma caixa que me vomita no térreo. Já ela desce escadas surrealistas mas enfrenta o mundo com as asas arrastando no chão.

Todo dia eu penso pensar que o pensamento pensa na gente. Já ela prefere ser concreta: quem roubou meu coração?

Todo dia eu tomo café com pão com jornal cheio de notícias de morte política futebol cultura tudo mesmo. Já ela assiste pela TV a novela da guerra.

Todo dia eu

***


Confissões arquivadas: "Meu aniversário de 19 anos, que acabo de viver, foi o mais estranho de todos. Decididamente o mais estranho. Estranho e recheado de mortes. O que explica o fato de eu estar agora escrevendo este e-mail pra você num Word 6.0 (aquele pra Win95, manja?) muito tosco e desconfigurado, que fica dando mensagens de erro a torto e a direito com aquele apitinho ensurdecedor e renitente. E já é a segunda tentativa. O primeiro texto, quase pronto, foi pro espaço porque esta jurássica máquina desgraçada travou. E o teclado, maldito, é modelo americano - estou apanhando pra catar os acentos e cedilhas da vida."

***


Estava pensando sobre a pequenez da vida quando:

- Cataploft, vamos tomar café?

- Sim, Catapluft, vamos sim...

- Mas onde, Cataploft, onde?

- Ora, Catapluft, mais acima, mais acima...

- Não estou entendendo, Cat...

Cataploft! Olhando para cima, foram surpreendidos com uma rasteira. Era o Sr. Cobra, o chefe da empresa, aquela víbora que não permite conversas paralelas muito menos universos assim.

***


Confissões rasgadas (ou A Morte Número 1): "Noite de ontem, 29, sexta. Eu entro no carro, carona. Nota de falecimento, coluna de obituário: "o vô da Sicrana morreu hoje cedo". Como assim? Tão novinho, apenas 97 anos, flor da idade...

Sicrana é velha amiga, estudou comigo nos velhos tempos. Agora está em Londrina. Ou Sorocaba. Ou Paris, não sei ao certo. O que sei é que ela está. Em algum lugar, a Física garante. O certo é que teria de passar no velório, ao menos um pouquinho, cumprir aquele ritual de praxe instituído em nossa sociedade pequeno-burguesa pós-capitalista. Pelo menos os meus pêsames, as minhas condolências, etc. etc. etc.

O problema é o frio que me acomete nesta cidade que já não é mais minha. Meu corpo habituado ao inferno e aqui quase neva. Meus dedos agora, por exemplo, tropeçam trêmulos nas teclas porque está frio. Por isso cheguei aqui e não fui ao velório. O presunto que esfriasse lá mais um pouquinho, pois eu só vou cumprir minhas obrigações com a sociedade que insiste em viver pra falar mal dos outros amanhã, bem cedinho. Aí posso acompanhar o sepultamento, ainda que seja meu aniversário."

***


Uma vez eu fugi do útero da minha mãe só pra ver onde é que o mundo ia dar. Depois o relógio começou a girar girar girar sem lógica mesmo e eu cresci um homem com barbas escorregando pelas costas da imaginação porque me barbeio todo dia na verdade.

Conheci o amor numa noite inusitada. Foi como se num instante o que era átomo tivesse virado átimo. Ótimo.

E agora é assim...

***


Confissões pagãs (ou A Velhinha): "Foda mesmo foi acordar às 8h, tomar café e enfrentar o frio da manhã pensando em não chegar atrasado para o enterro. Legal isso, começar o aniversário com um enterro! Foda mesmo, aliás, foi sair da minha cama quentinha...

Vamos lá. No velório aconteciam os últimos preparativos para a marcha fúnebre que sairia em pouco tempo. Alguns vereadores tentavam roubar a atenção de amigos e familiares, certamente já pensando nas próximas eleições. O prefeito e a primeira-dama fingiam semblantes tristes. Uma das noras do falecido trajava um falso luto. Enfim, muitos figurões da sociedade estavam lá. O cara que morreu era importante: um grande fazendeiro. Toda a burguesia hipócrita de Sucupira estava lá. Metade de Sucupira estava lá.

E eu, pé-rapado, barbudo e maltrapilho. Apenas por consideração às netas, que são capítulo a parte.

Como era de se imaginar, dezenas de coroas caríssimas eram carregadas pela burguesia rica. Ou pelo menos que finge ser rica. É muito chique acompanhar o féretro carregando coroas perecíveis para depois jogá-las no defunto. Deve ser, penso eu. Coroas caras e caretas carregadas por coroas chatos e cornos.

Mas meu olhar se desviou rapidamente para uma velhinha. Ela carregava uma
mísera rosa. Não dessas rosas de floricultura, que vêm envoltas num plástico que termina em eno na química inorgânica. Não, ela carregava uma rosa colhida talvez no jardim da praça, talvez em seu próprio jardim. Fiquei pensando que a velhinha podia ter cultivado aquela rosa para uma ocasião especial, e me emocionei.

Fiquei imaginando quem seria aquela velhinha. Pelas roupas, parecia ser bem pobre. Pela aparência descuidada, também. Ela destoava um pouco do público que acompanhava o sepultamento. Carregava a rosa entre as mãos, entre os dedos, como se a rosa fosse se quebrar, como se as pétalas fossem se desprender, se desgarrar, se despetalar. Como se os dedos também fossem voar. Eu fiquei comovido e não consegui parar de olhar aquela velhinha cujo olhar estava embotado de um quê seco, parecia que tinha sede e nunca mais ia conseguir chorar. A velhinha tinha os olhos calejados pela vida. Jurei pra mim mesmo: um dia ainda vou escrever uma crônica, a mais linda crônica, sobre essa velhinha e sua rosa para um defunto. Ainda pretendo cumprir o juramento.

Mas qual a relação da velhinha com o velho morto? Não conseguia parar de pensar. Amor? Amizade? Paixão platônica? Paixão fulminante? Gratidão? Favor? Creio que nunca vou saber. Aliás, nunca vou querer saber para não quebrar a poesia de vidro desse momento inesquecível.

E foi bonito ver a velhinha jogando sua rosa por cima do caixão, quando este ia sendo coberto de terra. Foi muito, mas muito mais bonito do que aquelas imensas coroas sem coração. Aquelas coroas de gente hipócrita."

***


Minha obra brota bruta. Só depois de muito britar é que se abre e cadabra. Então acaba.

***


Confissões amarelas: "A outra morte daquele dia foi extremamente trágica. Meu computador antigo, meu Pentium 100 tão íntimo, teve morte cerebral."

***


E tem aquela do cara que sempre acordava com a cara virada do avesso. Aí teve um dia que ele pulou fora do espelho e começou a viver de verdade.

4.2.09

Memórias do calabouço

Vim par ´ca ja´ fazalgun temp o. Naõ sei dixerbem ao certo qanto. Sei q ue faz un tempo e seeu vise a luz dosol nasc endo e sepondopoderia precisra os dias dest agonia agora agonia agora

.

No cmeço afastavameu deli´rio cmo um imagina rio jog uinhodepaciencia. As cartas ,tods marcdas- e eu invariavlmente predendo pa mim msmo . Dpois qeu me canseei, dcidi usarasmesmas cratas pra construiir un castelllo gigatne do qual euera o rei, o absoluto, o unico com poders na mihna corte de eu sozinho .

Foiamel hor fase. /mandava em mim cmo ningúem :era sehnor domeu instetino, donodos meus insta^ntes de oslidão , pincipe regente autoritarioe general-mordo unico exx´ercito d minah mente -qeu se cama 'conxciência" e, oje emdia, anda meiofora dee moda.

Sndo rei, derotei; vencci e ameiechorei ,rei sendo.

.

Estva dentro do castlo quadno oven to voou baixihno ederru bouu tdas ascar tas. Oteto desabbou tao rs´pido qeu morrilá msmo pelaprim eira vez. Ate´acordaroutra vez.

Eonde maiss podiaestar que naõ aqiu? Preso ,pesemãos atadas, so´a cabeça easid éias e´ qie não.

E e´ com acanneta entreos dentes q ue inicio asssim as mihas memorias . Se aomenos

alguém acendesee a luz, ah! , tdo já´ ficaria bemm maisfácil.

30.1.09

Nove meses

Depois do amor, nove meses, era um gemido grande e um berreiro maior ainda anunciando novo habitante no mundo, nova criatura pra respirar poluição, nova criança pra sofrer tudo o que a vida guarda.

Aí era aquele sorrisinho frouxo, ambiente asséptico, médico com cara de idiota olhando pras mãos tão acostumadas a bater em bundinha de neném. Cena 12.842/2004. Corta VT e o cordão umbilical junto. Pode levar.

Quem vê cara não vê coração, vê joelho e joelho amassado ainda por cima. Vermelho. Os olhinhos fechados não permitem nada de cutucar, nem um olhar de esguelha. Agulha já é vacina ou ainda é muito cedo pra injetar corpos estranhos dentro do estranho corpo cor de cor? Absurdo.

Depois do amor vem sempre aquela dor pontiaguda, aquele sentimento punk em cima da cabeça. O depois do amor não existe, se o amor for mesmo amor. A não ser que não haja sinal nem senha, que não se veja sanha nem sonho, que não se tenha amanhã. O amanhã não tem tamanho se há amor.

Hoje é o amanhã. Acordei chovendo pra rimar com as lágrimas do meu âmago. Eu te âmago. Depois do amor, nove meses, era um gemido grande e um estranho berreiro ainda anunciando tudo: aquilo vivo que há entre o nascer e o morrer. Um vampiro que escorre a espreita e uma montanha que sacode na esperança.

Agora é só uma dor pontiaguda que nem parece sombra de amor. Agora é só um suspiro, um jeito cibernético de olhar pra tela vazia, uma janela entreaberta. Agora é só saudade.

Eu só queria era o esperma escorrendo entre suas pernas.

9.11.08

Retrato do poeta quando hoje

O poeta está escondido debaixo do lençol. Não quer ver o mundo que ajudou a criar de seu jeito aleatório. Tem pena daqueles que, nervosos, espantam olhos alheios com palmatórias de idéias. Não sabe sorrir. Acha difícil que a crise mundial de nervos não se espalhe logo pelas linhas telefônicas congestionadas.

O poeta prefere estar escondido debaixo do lençol. Ali, no escuro, luzes apagadas, porta e janela fechadas, é só um suspiro. Um suspirar. Um suspirar eterno, frenético, indecifrável exatamente. Os absurdos que ele colecionou surgem um a um, pedem a bênção, codificam sentimentos, depois somem sem nenhuma inferência ou ilação. Alguma coisa dentro de si sangra, secamente.

O poeta não tem opção senão se manter debaixo do lençol. Um esconderijo ensimesmado, feito uma pulga em repouso, na frente das orelhas. Cada pensamento que se lhe apresenta traz embutido a esperança fedorenta de que dali a um dia, uma semana, um mês quem sabe a chuva voltará carregada de versos brancos, limpos, lavados.

Como a alma, se ele a encontrar novamente.

8.11.08

Fotograma

o dia estava tão legal, teve uma queda no gráfico, mas eu ainda acredito que vá terminar bem.
pensamento positivo é tipo uma religião
na qual os deuses são invisíveis, inatingíveis, inexistentes.

quando vejo o sol brotando pela fresta da persiana
lembro-me que há vida de verdade acontecendo:
com carros que trafegam sem explicação,
sonhos que se esquecem de virar realidade,
pessoas bonitas transando o tempo todo.

eu estou aqui, dentro de um quarto fechado, rodeado de silêncios e tédios que mudam sempre de lugar.

30.10.08

maçarico

seu olhar era macônico
manicômico
maneta
como se um sorriso
molhasse
me olhasse
assim.

só olhar era maçante
maniçante
mônico
como se ser sorriso
melasse
molhasse
em mim.

23.10.08

Tanta coisa não poderia, Maria (singelo poeminha inocente)

Tanta coisa não poderia, Maria
Outra alegoria, uma confusão
Tamanha briga em seu coração
Tanta coisa não poderia, Maria
Hoje, não; hoje, não

Tanta coisa não poderia, Maria
Que desconheço o meu perdão
Tacanha lida brotando do chão
Tanta coisa não poderia, Maria
Hoje, não; hoje não

Tanta coisa não poderia, Maria
Outra alegria, eles jamais virão
Estranho dia, enxotado, cão
Tanta coisa não poderia, Maria
Hoje, não; nunca não.