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16.6.10
Carta
Estou no meu limite físico. Não aguento mais me dedicar à madeira -- talvez, por extensão, à marcenaria. A gota d'água vem cada vez que eu capricho de sobremaneira em uma peça e leio, no dia seguinte, que algum torno desavisado ou serra um pouco mais afiada estragou justamente o estrepe pela qual tinha maior apreço. São gotas d'água. Um conta-gotas que pinga constantemente em minha testa, como se torturado fosse naquelas fábulas orientais. Tenho pensado em alternativas: será que uma serralheria não me contrataria para ficar debruçado sobre metal tanto quanto faço com madeira? Será que um dia esculpirei uma pela que realmente renda alguma coisa (e isso signifique um dinheiro razoavelmente maior do que os cem pilas que pulam em minha conta bancária trimestralmente)? Será que vale a pena me reinventar mais uma vez -- como fiz na transição Paris-São Paulo -- e seguir insistindo nessa de marcenaria convencional? Sou só interrogações, meu caro. Nenhuma resposta. Mas às vezes eu queria conseguir ter tempo para me dedicar à marcenaria que tanto amo. Às vezes eu queria só sair de casa sabendo que, como em quase todas as profissões, eu terei horário certo para pegar minhas coisas e voltar para o lar, tomar uma cerveja e dormir em paz. Às vezes eu queria saber que meu estrepe bem-desenhado é tão importante que nenhum equipamento mecânico maligno irá extirpá-lo sem critério. Às vezes -- quase sempre -- eu queria só saber direito o que eu quero mesmo.
29.12.09
"Como se fosse um espelho em frente ao outro"
Cara, estou muito irritado com as coisas.
Hoje em dia você pode deixar tudo emendado, saca? Tipo atualizar seu blog e ele automaticamente alimentar seu twitter, que pode automaticamente alimentar seu facebook, que pode sei lá o quê. Não dá, cara, fica insano. A ponto de eu entrar no flickr de um amigo, clicar na foto para vê-la ampliada e perceber que a mesma não está hospedada no flickr, mas sim no twitpic, que é aquele treco de fotos do twitter. Ou seja: a foto também apareceu no twitter dele (e eu não vi). E dá para fazer o caminho inverso também. Quando eu atualizo meu blog, aparece no twitter. Quando eu atualizo o twitter, aparece no blog. É um ciclo infinito, como se fosse um espelho em frente ao outro. Não dá para conviver com isso, não dá.
Acho que vou mudar de planeta.
Hoje em dia você pode deixar tudo emendado, saca? Tipo atualizar seu blog e ele automaticamente alimentar seu twitter, que pode automaticamente alimentar seu facebook, que pode sei lá o quê. Não dá, cara, fica insano. A ponto de eu entrar no flickr de um amigo, clicar na foto para vê-la ampliada e perceber que a mesma não está hospedada no flickr, mas sim no twitpic, que é aquele treco de fotos do twitter. Ou seja: a foto também apareceu no twitter dele (e eu não vi). E dá para fazer o caminho inverso também. Quando eu atualizo meu blog, aparece no twitter. Quando eu atualizo o twitter, aparece no blog. É um ciclo infinito, como se fosse um espelho em frente ao outro. Não dá para conviver com isso, não dá.
Acho que vou mudar de planeta.
14.8.09
De hoje, a um amigo
Deixa de ser pessimista.
Quando eu estava na faculdade e me deparava com discursos assim, sempre respondia:
- Não sei o que vai ser amanhã, se vai ser papel ou internet, capitalismo ou anarquismo, dinheiro ou cartão. O que importa é que eu quero estar no meio, causando sempre.
Enfim, pena que metade dessa minha visão otimista acabou atropelada pelos fatos.
Quando eu estava na faculdade e me deparava com discursos assim, sempre respondia:
- Não sei o que vai ser amanhã, se vai ser papel ou internet, capitalismo ou anarquismo, dinheiro ou cartão. O que importa é que eu quero estar no meio, causando sempre.
Enfim, pena que metade dessa minha visão otimista acabou atropelada pelos fatos.
16.7.09
Mensagem
Das singelas dúvidas que nos atormentam na hora do almoço: cardápio roots ou requintado? Voto na opção que consumir menos a minha fortuna, esculpida após anos de labuta diária na imprensa brasileira.
Topam em quantos minutos? Podemos aproveitar o intervalo para apurar mais? Renegaremos nossos princípios éticos, estéticos e religiosos? Destruiremos todas as interrogações nervosas e suas lacunas espaço-temporais? Encontraremos Deus? Sorriremos?
Sem mais para o momento, aguardo pela manifestação dos senhores.
Grato.
Topam em quantos minutos? Podemos aproveitar o intervalo para apurar mais? Renegaremos nossos princípios éticos, estéticos e religiosos? Destruiremos todas as interrogações nervosas e suas lacunas espaço-temporais? Encontraremos Deus? Sorriremos?
Sem mais para o momento, aguardo pela manifestação dos senhores.
Grato.
10.7.09
Mais-valia
Então, cara, também já tinha pensado nisso, sobre essa coisa de talvez ter ficado "mais marxista" com a paulistanice. Acredito que essa sensação é forte justamente porque aqui, na metrópole-monstra-que-nos-devora-e-rouba-toda-a-mais-valia os contrastes são mais acentuados, o suor é mais íngreme, a dor é mais latente.
Em suma: o marxismo é o mesmo. O concreto (e haja concreto!) é que é infinitamente maior.
Em suma: o marxismo é o mesmo. O concreto (e haja concreto!) é que é infinitamente maior.
18.3.09
Sonho
Sonhei com você esta noite. Eu havia escrito um romance e você me chamou até sua mesa para comentá-lo. Tinha nas mãos um exemplar do livro, publicado. Abriu e me mostrou todas as páginas com riscos vermelhos. Então me disse:
- Tirei todos os adjetivos infantis que você usou.
Acordei assustado.
- Tirei todos os adjetivos infantis que você usou.
Acordei assustado.
9.3.09
Minha cabeça, hoje
Estranho demais isso de saudades. Nunca trabalhei simultaneamente com você aqui, mas percebo restos de sua vida nos corredores, nos bebedouros d'água, nas cadeiras e mesas e pessoas.
De lá, saímos ao mesmo tempo, praticamente. Como uma alma bipartida, um campo semântico esfarrapado ou um sentimento arguto podado ainda na infância.
Haverá um reencontro? Teremos um tempo? Novo momento? Um abecedário novo?
Quando a luz se apaga, o que sobra são as lembranças. Todas tristes.
De lá, saímos ao mesmo tempo, praticamente. Como uma alma bipartida, um campo semântico esfarrapado ou um sentimento arguto podado ainda na infância.
Haverá um reencontro? Teremos um tempo? Novo momento? Um abecedário novo?
Quando a luz se apaga, o que sobra são as lembranças. Todas tristes.
28.2.09
Sobre fotografias, reportagens e abraços
Uma vez me disseram para colecionar mosquinhas dessas que habitam os olhos dos míopes. Não aceitei, sob o pretexto besta de que bichos não são colecionáveis, são de quem os vir, são de quem os encontrar. Por analogia, os sorrisos também não seriam colecionáveis, posto que instantâneos, exclusivos, abrasivos.
Mas a fotografia também não é instantânea? A reportagem também não é exclusiva? O abraço, abrasivo?
Por isso, volto atrás: mesmo que o silêncio seja vidro e se quebre, carregando ralo abaixo toda sua beleza, diga algo. Diga logo. Diga. Já que não tenho como ver o sorriso, sentir o olhar, alimentar o gosto, que ao menos ouça -- leia -- o que se é existência.
Mas a fotografia também não é instantânea? A reportagem também não é exclusiva? O abraço, abrasivo?
Por isso, volto atrás: mesmo que o silêncio seja vidro e se quebre, carregando ralo abaixo toda sua beleza, diga algo. Diga logo. Diga. Já que não tenho como ver o sorriso, sentir o olhar, alimentar o gosto, que ao menos ouça -- leia -- o que se é existência.
27.2.09
De dentro da garrafa naufragada
Estou com um sorriso derrapado no rosto. Aquele que em vez de se esquecer de acontecer, aconteceu demais, perdeu o tamanho certo, escorregou. Quando me lembrei, fechei rápido. Ficou a marca.
É assim que me recordo do seu sorriso. Indelével. Proporcional. Exato.
A matemática, eu a endeuso justamente pela medida da perfeição: a invariável condutora dos pensamentos humanos.
Por isso, me resta apenas a interrogação latente de saber como estão as coisas por aí, onde eu não vejo, onde eu não estou, onde nem sou pensado, querido ou desejado.
É assim que me recordo do seu sorriso. Indelével. Proporcional. Exato.
A matemática, eu a endeuso justamente pela medida da perfeição: a invariável condutora dos pensamentos humanos.
Por isso, me resta apenas a interrogação latente de saber como estão as coisas por aí, onde eu não vejo, onde eu não estou, onde nem sou pensado, querido ou desejado.
19.2.09
25.1.09
Downloads
Bem interessantes essas coisas, meu caro. Penso que a internet é uma revolução em si menos pelo suporte e pelo aparato tecnológico que pela possibilidade de seus utentes democratizarem o conhecimento. E deixemos para lá neste momento as natimortas discussões de que não é democrático aquilo que não atinge a todos ainda. É questão de tempo-espaço. Sempre existiram - e, creio, infelizmente sempre existirão - nas sociedades humanas segregações. São injustas? São inúteis? São malévolas? Certo que sim. Mas tal fato não pode prejudicar a percepção de que algumas (poucas) criações têm o poder de disseminar informações, criações, lazeres e - principalmente - pensares.
Ps.: Infelizmente o link não funciona mais. Cheguei tarde ao download.
Ps.: Infelizmente o link não funciona mais. Cheguei tarde ao download.
20.1.09
Carta que um poeta desesperado dedica ao seu amor
Caleidoscópio, novembro de 2002.
Querida,
Quisera ser eu uma borboleta amarela, poeta desvencilhado do casulo do espaçotempo nulo que nos separa, para beijar levemente tuas pálpebras enquanto dormindo sonhas comigo. (Se a lógica do relógio andasse pra trás, atrás de ti viveria mesmo perdendo-te a cada giro, a cada nada.)
Evoco o legítimo vate e seus versos que meu coração bate: Ponho-me a escrever teu nome com letras de macarrão / No prato, a sopa esfria, cheia de escamas / e debruçados na mesa todos contemplam esse romântico trabalho.
Quisera eu ser uma borboleta amarela, profeta lendo em tuas sobrancelhas a centelha que acende o amor, ascende o nosso amor. Pálpebras fechadas, sonho teu, sonho nosso, uma verde quimera que prende a esperança que jamais se rende diante das adversidades secas da vida, sofrida, lida, tida.
Desgraçadamente falta uma letra / Uma letra somente / Para acabar teu nome. E tua imagem sob o lençol transparente alumia a minha mente, permanente mente molhada pelo orvalho da noite, penumbra que só a lua cheia de pretexto nos assombra com um jeito de amor.
Fecho minhas pálpebras como a borboleta bate as asas. O coração bate as asas. As asas, as brasas, o amor. - Estás sonhando? Olhe que a sopa esfria. Quisera estar sonhando, mas é somente tu quem sonha nossos sonhos agora. Espero-os sinceros.
Beijo levemente tuas pálpebras enquanto dormindo repousas sobre o tamanho do mundo.
Adeus.
Querida,
Quisera ser eu uma borboleta amarela, poeta desvencilhado do casulo do espaçotempo nulo que nos separa, para beijar levemente tuas pálpebras enquanto dormindo sonhas comigo. (Se a lógica do relógio andasse pra trás, atrás de ti viveria mesmo perdendo-te a cada giro, a cada nada.)
Evoco o legítimo vate e seus versos que meu coração bate: Ponho-me a escrever teu nome com letras de macarrão / No prato, a sopa esfria, cheia de escamas / e debruçados na mesa todos contemplam esse romântico trabalho.
Quisera eu ser uma borboleta amarela, profeta lendo em tuas sobrancelhas a centelha que acende o amor, ascende o nosso amor. Pálpebras fechadas, sonho teu, sonho nosso, uma verde quimera que prende a esperança que jamais se rende diante das adversidades secas da vida, sofrida, lida, tida.
Desgraçadamente falta uma letra / Uma letra somente / Para acabar teu nome. E tua imagem sob o lençol transparente alumia a minha mente, permanente mente molhada pelo orvalho da noite, penumbra que só a lua cheia de pretexto nos assombra com um jeito de amor.
Fecho minhas pálpebras como a borboleta bate as asas. O coração bate as asas. As asas, as brasas, o amor. - Estás sonhando? Olhe que a sopa esfria. Quisera estar sonhando, mas é somente tu quem sonha nossos sonhos agora. Espero-os sinceros.
Beijo levemente tuas pálpebras enquanto dormindo repousas sobre o tamanho do mundo.
Adeus.
3.12.08
Interrogações sorumbáticas
Por que você some às vezes?
E onde se esconde tem chave?
Há uma cópia debaixo do tapete?
Fica um cachorro bravo de vigia?
Você dorme bonita ou fica acordada com insônia?
Por que você some dentro dos meus sonhos?
Vai voltar a aparecer impunemente com o verão?
Posso me perder em seus novos e-mails?
E me encontrar nas entrelinhas de alguns deles?
E onde se esconde tem chave?
Há uma cópia debaixo do tapete?
Fica um cachorro bravo de vigia?
Você dorme bonita ou fica acordada com insônia?
Por que você some dentro dos meus sonhos?
Vai voltar a aparecer impunemente com o verão?
Posso me perder em seus novos e-mails?
E me encontrar nas entrelinhas de alguns deles?
20.11.08
Do sobre e do tudo
Olhei lá, com atenção e até um tiquinho de surpresa. Uma surpresa inventada por você mesmo, quando me disse que não sabia escrever gostosinho. É formidável. Facetas humanas, demasiado humanas, cruelmente humanas, que prendem a gente. Prendem tanto que eu lamentava àquela hora da madrugada ter sono, lamentava ter de vir trabalhar no dia seguinte. Queria ler tudo de uma só vez.
A história de Nicole, de dar pena, deixa um vazio de sei-lá-quantos mililitros na alma. Porque também somos humanos. E dói imaginar tais situações. Dói mais ainda quando sabemos - você porque escreveu, eu porque li com sua garantia jornalística de que ali estão relatos da verdade, nada mais que a verdade, doa a quem doer - que é realidade. Absurda. Perambulante. Quase comum.
Mas punge mais ainda a que vem logo abaixo. De seu pai, o bilhetinho escrito num papel roxo. O papel não era roxo? (Na minha memória fotográfica do que nunca vi, sempre será roxo esse seu papelzinho.)
Continuarei acompanhando, ainda que muitas vezes o silêncio se sobreponha. Meu jeitão ascético, pobre.
E nunca mais, nunca mais, diga que não escreve de um jeito bão de ler.
A história de Nicole, de dar pena, deixa um vazio de sei-lá-quantos mililitros na alma. Porque também somos humanos. E dói imaginar tais situações. Dói mais ainda quando sabemos - você porque escreveu, eu porque li com sua garantia jornalística de que ali estão relatos da verdade, nada mais que a verdade, doa a quem doer - que é realidade. Absurda. Perambulante. Quase comum.
Mas punge mais ainda a que vem logo abaixo. De seu pai, o bilhetinho escrito num papel roxo. O papel não era roxo? (Na minha memória fotográfica do que nunca vi, sempre será roxo esse seu papelzinho.)
Continuarei acompanhando, ainda que muitas vezes o silêncio se sobreponha. Meu jeitão ascético, pobre.
E nunca mais, nunca mais, diga que não escreve de um jeito bão de ler.
23.7.08
Sem título, sem explicação
Fica a certeza. Precisava ser assim, a partida -- que sempre me faz lembrar o fazer-se em pedaços, partículas, farelos, migalhas -- tinha de ser simultânea. Fica a certeza. Tão certa que é destas que dispensam explicações, justificativas ou ferrugens. Tão sincera que não usa roupas. Tão emocionada que lacrimeja, enquanto guarda as rimas para viver depois.
Quando sentir saudades, procure-me no espelho mais próximo.
Quando sentir saudades, procure-me no espelho mais próximo.
Caconde
Sinto pelo Seu Fabrício. Apesar de (ou por ser) cachaceiro, era gente boa. Mas se a administração predial decidiu mudar da água-que-passarinho-não-bebe para o vinho e entrar nessa de globalização, palmas para a companhia terceirizada.
Não sei por que não estou completamente bem. Também não sei por que acha que entendo isso de viver e de jornalistar. Sou aprendiz em tudo o que faço. Seja ao acariciar uma mulher e sempre redescobrir suas curvas, seja ao preencher mais uma lauda com letrinhas inconformadas. O foda é quando me olho ao espelho e reconheço-me nem metade do homem que eu queria ser. Nem metade. Nem metade.
Mas nao deve ser uma conclusão geral. Penso que elas nem existam.
Não sei por que não estou completamente bem. Também não sei por que acha que entendo isso de viver e de jornalistar. Sou aprendiz em tudo o que faço. Seja ao acariciar uma mulher e sempre redescobrir suas curvas, seja ao preencher mais uma lauda com letrinhas inconformadas. O foda é quando me olho ao espelho e reconheço-me nem metade do homem que eu queria ser. Nem metade. Nem metade.
Mas nao deve ser uma conclusão geral. Penso que elas nem existam.
16.7.08
Café amargo -- viagens próprias
Li lá, gostei pacas. Preciso lhe confessar os devaneios a que fui acometido durante. Que a moça, dita loura bela, era filha da grávida daquela série dos primórdios de seu blog. Não dá liga?
Para complicar ainda mais a história, o sujeito semidesnudo não seria o pai verdadeiro dela, mas sim o que surge na vida da grávida. Talvez embole, talvez role.
O importante é que o conto, por si só, ficou jóia. Hoje gostei. Agora vou voltar a ler o livro que me emprestou -- ainda mal o comecei.
Para complicar ainda mais a história, o sujeito semidesnudo não seria o pai verdadeiro dela, mas sim o que surge na vida da grávida. Talvez embole, talvez role.
O importante é que o conto, por si só, ficou jóia. Hoje gostei. Agora vou voltar a ler o livro que me emprestou -- ainda mal o comecei.
28.6.08
Gnomidades...
Caro,
Os gnominhos são idéias fixas a me perseguirem. Desde que li os gnomos de gnu; desde que tive aulas de semioticismos; desde que me voltei contra a professora que odiava amarelo; desde que me fiz urgente.
Os originais estão em http://cronopolitano.blogspot.com/search/label/gnominhos (como blogados, é preciso ler de baixo para cima para entender a seqüência). Esse que você leu já é a maldita recorrência, o mais-do-mesmo a tumultuar a vida de quem sonha escrevendo.
De resto, sou mesmo como você. Gosto mais dos textos que ainda não brotaram, e ficam pedaceando na cabeça oca do poeta louco.
Abraço, cara.
Os gnominhos são idéias fixas a me perseguirem. Desde que li os gnomos de gnu; desde que tive aulas de semioticismos; desde que me voltei contra a professora que odiava amarelo; desde que me fiz urgente.
Os originais estão em http://cronopolitano.blogspot.com/search/label/gnominhos (como blogados, é preciso ler de baixo para cima para entender a seqüência). Esse que você leu já é a maldita recorrência, o mais-do-mesmo a tumultuar a vida de quem sonha escrevendo.
De resto, sou mesmo como você. Gosto mais dos textos que ainda não brotaram, e ficam pedaceando na cabeça oca do poeta louco.
Abraço, cara.
22.6.08
De amigo
Uma vez um amigo pegou minha quase impublicável história dos gnominhos cor-de-abóbora, imprimiu. Cismou de ler para a filhinha recém-nascida dormir. Contou-me meses depois.
- Como assim? Quisera eu ser capaz de escrever pra criança. Não sei não.
- Ela gostou. Não deve ter entendido nada, felizmente. Mas pôde saborear o som das palavras.
O que acontece com sua pequena não é o mesmo, penso. Primeiro que ela é maiorzinha; depois, que o multimídia atrai. Mas fico igualmente feliz em saber que meus gostos musicais um tanto ecléticos têm agradado. Aquela coisa de padaria, agradecemos a preferência.
PS.: Belo poema.
- Como assim? Quisera eu ser capaz de escrever pra criança. Não sei não.
- Ela gostou. Não deve ter entendido nada, felizmente. Mas pôde saborear o som das palavras.
O que acontece com sua pequena não é o mesmo, penso. Primeiro que ela é maiorzinha; depois, que o multimídia atrai. Mas fico igualmente feliz em saber que meus gostos musicais um tanto ecléticos têm agradado. Aquela coisa de padaria, agradecemos a preferência.
PS.: Belo poema.
21.6.08
Missiva teodolítica
Sinceridade sempre. Rancor também. Nada pessoal, tudo contra as pessoas.
O patrão continua o mesmo velho ranzinza de sempre. Ele, brincando de Tio Patinhas. Nós, tartaruga-ninjando pelos submundos. E o seu? Mancando como sempre?
Fico com uma pontinha de soluço ao saber que você visitou Doménikos Theotokópoulos. Como está a vida salmão de lá? Ainda existe o senhor Fabrício, com suas cachaças diuturnas? Quem mora no 61? Confesso que à sua réplica pediria era pães-de-queijo. Com brigadeiro. E anos incríveis, ô se foram!
Continuo tentanto. Não vou bem, nem me divertindo, muito menos feliz. Você consegue essas coisas?
O patrão continua o mesmo velho ranzinza de sempre. Ele, brincando de Tio Patinhas. Nós, tartaruga-ninjando pelos submundos. E o seu? Mancando como sempre?
Fico com uma pontinha de soluço ao saber que você visitou Doménikos Theotokópoulos. Como está a vida salmão de lá? Ainda existe o senhor Fabrício, com suas cachaças diuturnas? Quem mora no 61? Confesso que à sua réplica pediria era pães-de-queijo. Com brigadeiro. E anos incríveis, ô se foram!
Continuo tentanto. Não vou bem, nem me divertindo, muito menos feliz. Você consegue essas coisas?
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