2.10.10

Dosafetos

em que não creio
só leio

e range meu ventre
sedento sempre
como uma dobradiça gasta
velha massa
corpórea
inútil

coleciono bênçãos
feito sacristão
apavorado

em que não creio
só leio.

29.9.10

Amanhã

Ninguém pode enterrar o amanhã.
Porque ele não espera
Porque ele não se cansa
Porque ele simplesmente
acontece.

Ninguém pode carregar as pás,
trazer todas as ferramentas e,
depois de vetusto velório,
procissão fúnebre,
enterrar o amanhã.
Ele não se encerra assim.

O amanhã não permite tropeço
e jamais admite ser pulado.

8.9.10

Frag Mental

da vontade.
sempre sobra, mas soçobra.

do sentido.
estremece, depois esquece.

da querença.
apenas vela, desvela.

da assepsia.
mental, sentimental.

7.9.10

No radinho de pilha



(Já que hoje é Sete de Setembro...)

5.9.10

no deserto de absurdos, várias
rosas
muitos beijos
seus lábios
escorrendo
sobre
mim.

catatônico, absoluto, resignado
sou um erro
como se errante
pudesse-me.

31.8.10

Necrológio

Não fossem estas poucas linhas -- concedidas como cortesia por O Jornal --, Fulano de Tal jamais veria seu nome impresso. Sua vida foi toda de insignificâncias: quando criança era um menino normal, jamais tendo ganho nenhum campeonato escolar de futebol ou sido mencionado com deferência em qualquer meio de notório saber; adolescente, jamais namorou moça bonita e nunca soube tecer versos livres; na adulteza, virou funcionário público, de cotidiano burocrático e previsível. Não se casou, não teve filhos, não construiu legado algum para deixar ao mundo. Dia 31, aos 92 anos.

26.8.10

Instante da estante

TORERO, José Roberto; PIMENTA, Marcus Aurelius. O evangelho de Barrabás. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.

18.8.10

Um quadro às quartas

Moça retratada, 1934
Obra de Candido Torquato Portinari (1903-1962)

17.8.10

No radinho de pilha



"Se eles têm três carros, eu posso voar"

16.8.10

Para começar a semana

"Escrever é gravar reações psíquicas. O escritor funciona qual antena - e disso vem o valor da literatura. Por meio dela, fixam-se aspectos da alma dum povo, ou pelo menos instantes da vida desse povo."

Monteiro Lobato (1882-1948)

15.8.10

Domingo, foto

Ciclovia em Nova York, 2007
Clique de Vitorio Maddarena (1964- )

14.8.10

Porque hoje é sábado

Die bewegung

já que não vou sair por aí
no movimento quebrando vou
ficar aqui bem brando nada
godfather se a mão beijada
é contra nada sobe aqui no
meu monte quase triste dos
perdidos sem vida na volta
perdido sem vinda na volta

(Frederico Barbosa)

13.8.10

Seção da sessão



O maluco cruzou os EUA com 27 mil fotos (via @mdcurioso).

12.8.10

Instante da estante

CHAMIE, Mário. Pauliceia dilacerada. São Paulo: Funpec, 2009.

11.8.10

Um quadro às quartas

Morro, 1959
Obra de Candido Torquato Portinari (1903-1962)

10.8.10

No radinho de pilha



"Please don't you ever ask me things
I wouldn't like to talk about"

9.8.10

Para começar a semana

"Minha vida é o único livro que sou obrigado a ler até o fim."

Fabrício Carpinejar (1972- )


8.8.10

Domingo, foto

Vidro, 2010
Clique de Hélvio Romero (1958- )

7.8.10

Porque hoje é sábado

Se

se
nem
for
terra
se
trans
for
mar

(Paulo Leminski)

6.8.10

Seção da sessão



A Via Láctea.

5.8.10

Instante da estante

ANDRADE, Carlos Drummond de. Novos poemas. In: Nova reunião: 23 livros de poesia. Vol. 1. Rio de Janeiro: BestBolso, 2009.

4.8.10

Um quadro às quartas

Corredor de vento, 2010
Obra de Bruno Moreschi (1982- )

3.8.10

No radinho de pilha



"Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar"

2.8.10

Aviso

A partir de hoje, também estou no Estadão.com.br. Apareça -- mas não abandone aqui.

Para começar a semana

"Preciso crer na literatura como se fosse uma religião.”

1.8.10

Domingo, foto

Marginal do Pinheiros, 2010
Clique de Hélvio Romero (1958- )

Fragmentos

No fundo é nisso que me espelho: escondo pequenezes, persigo tristezas, desinvento traços de paz; como se tudo o que já não nasce feito, completo, sonolento, fosse possível; como se o desdém se autodigerisse incólume dentro de tanta burrice; como se eu, solitário, soubesse contar cada passo e eles coubessem na menor cabeça do menor alfinete do mundo.

Mas, nada. O espelho coleciona pedaços.

24.7.10

Porque hoje é sábado

manchete

CHUTES DE POETA
NÃO LEVAM PERIGO À META

23.7.10

Seção da sessão



Cinco coroas alviverdes.

22.7.10

Instante da estante

PAPPALARDO, Arnaldo. Tensão calma. São Paulo: Cosac Naify, 2009.