8.6.10
7.6.10
6.6.10
26. A luz que alumina incansavelmente
Para exercer a troca constante de fluidos corporais, dormiam um dentro do outro.
- Não nos cansamos.
- Aguentamos com prazer intenso.
- Amenzamos.
Já haviam combinado inclusive que a morte seria simultânea, num longo abraço, quando velhinhos se sentissem.
- Amamo-nos.
- Queremo-nos.
Porque só assim eram luz. Luzes. Sempre acesas.
- Não nos cansamos.
- Aguentamos com prazer intenso.
- Amenzamos.
Já haviam combinado inclusive que a morte seria simultânea, num longo abraço, quando velhinhos se sentissem.
- Amamo-nos.
- Queremo-nos.
Porque só assim eram luz. Luzes. Sempre acesas.
5.6.10
Porque hoje é sábado
Rapte-me camaleoa
Rapte-me camaleoa
Adapte-me a uma cama boa
Capte-me uma mensagem à-toa
De um quasar pulsando loa
Interestelar canoa
Leitos perfeitos
Seus peitos direitos me olham assim
Fino menino me inclino pro lado do sim
Rapte-me, adapte-me, capte-me
It’s up to me
Coração
Ser querer, ser merecer, ser um camaleão
Rapte-me camaleoa
Adapte-me ao seu
Ne me quitte pas
(Caetano Veloso)
Rapte-me camaleoa
Adapte-me a uma cama boa
Capte-me uma mensagem à-toa
De um quasar pulsando loa
Interestelar canoa
Leitos perfeitos
Seus peitos direitos me olham assim
Fino menino me inclino pro lado do sim
Rapte-me, adapte-me, capte-me
It’s up to me
Coração
Ser querer, ser merecer, ser um camaleão
Rapte-me camaleoa
Adapte-me ao seu
Ne me quitte pas
(Caetano Veloso)
4.6.10
3.6.10
2.6.10
1.6.10
No radinho de pilha
"If you really like it you can have the rights,
It could make a million for you overnight"
in fact
denuncia a sombra os ombros de guarda-chuva
a proteger os desejos
a luxúria
os encantos mais desencontrados e inefáveis
por enquanto, doentes.
e cada anúncio fixado na janela
é um poente derramado
para ela
só para ela
que dorme vestida de nua
deitada em sonhos de frente e verso.
dentro da consciência nervosa, em tiques
um universo guardado
bigbangueia eternamente
como se o nascimento fosse uma frequência
e a riqueza se cansasse de tanto gastar
o que ninguém tem.
mas é tudo fricção
mas é tudo ficção
tirante os ombros que se quedam
parecidos com as sombras que tentam
reinventar-se.
a proteger os desejos
a luxúria
os encantos mais desencontrados e inefáveis
por enquanto, doentes.
e cada anúncio fixado na janela
é um poente derramado
para ela
só para ela
que dorme vestida de nua
deitada em sonhos de frente e verso.
dentro da consciência nervosa, em tiques
um universo guardado
bigbangueia eternamente
como se o nascimento fosse uma frequência
e a riqueza se cansasse de tanto gastar
o que ninguém tem.
mas é tudo fricção
mas é tudo ficção
tirante os ombros que se quedam
parecidos com as sombras que tentam
reinventar-se.
31.5.10
30.5.10
29.5.10
Porque hoje é sábado
Paisagens com cupim
No canavial tudo se gasta
pelo miolo, não pela casca.
Nada ali se gasta de fora,
qual coisa que em coisa se choca.
Tudo se gasta mas de dentro:
o cupim entra nos poros, lento,
e por mil túneis, mil canais,
as coisas desfia e desfaz.
Por fora o machado reboco
vai-se afrouxando, mais poroso,
enquanto desfaz-se, intestina,
o que era parede, em farinha.
E se não se gasta com choques,
mas de dentro, tampouco explode.
Tudo ali sofre a morte mansa
do que não quebra, se desmancha.
(João Cabral de Melo Neto)
No canavial tudo se gasta
pelo miolo, não pela casca.
Nada ali se gasta de fora,
qual coisa que em coisa se choca.
Tudo se gasta mas de dentro:
o cupim entra nos poros, lento,
e por mil túneis, mil canais,
as coisas desfia e desfaz.
Por fora o machado reboco
vai-se afrouxando, mais poroso,
enquanto desfaz-se, intestina,
o que era parede, em farinha.
E se não se gasta com choques,
mas de dentro, tampouco explode.
Tudo ali sofre a morte mansa
do que não quebra, se desmancha.
(João Cabral de Melo Neto)
28.5.10
27.5.10
Instante da estante
PENTEADO, Jacob. Belènzinho, 1910 - Retrato de uma época. São Paulo: Narrativa Um, 2003.26.5.10
25.5.10
24.5.10
Para começar a semana
"Não gosto de repetir fórmulas. Só começo um novo livro quando estou seguro de que não conseguirei escrevê-lo. É um desafio, não posso me deixar vencer pelas palavras."António Lobo Antunes (1942- )
23.5.10
22.5.10
Porque hoje é sábado
Poema XX
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.
(Pablo Neruda)
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.
A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.
De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.
(Pablo Neruda)
21.5.10
20.5.10
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