Era apenas uma formiga que se escorregava
-- não cabia em sonho, nem em tédio, nem no chão --
de tal forma inconstante que se perdia.
Dentro dela, as aspirações mais loucas
e o ácido fórmico.
Então veio o formicida.
15.3.10
14.3.10
13.3.10
Porque hoje é sábado
A namorada
Havia um muro alto entre nossas casas.
Difícil de mandar recado para ela.
Não havia e-mail.
O pai era uma onça.
A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por
um cordão
E pinchava a pedra no quintal da casa dela.
Se a namorada respondesse pela mesma pedra
Era uma glória!
Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira
E então era agonia.
No tempo do onça era assim.
(Manoel de Barros)
Havia um muro alto entre nossas casas.
Difícil de mandar recado para ela.
Não havia e-mail.
O pai era uma onça.
A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por
um cordão
E pinchava a pedra no quintal da casa dela.
Se a namorada respondesse pela mesma pedra
Era uma glória!
Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira
E então era agonia.
No tempo do onça era assim.
(Manoel de Barros)
12.3.10
11.3.10
Instante da estante
MORAES, Ana Carolina Carvalho Dias de; PELLEGRINI, Carla Sgobbi; PORTELLA, Julia Figueiredo. Um balão na Terra. São Paulo: Viva e Deixe Viver, 2006.10.3.10
9.3.10
8.3.10
Para começar a semana
"Se você tem o dinheiro para comprar esse livro, compra, porque o dinheiro volta, mas esse livro pode não voltar."José Ephim Mindlin (1914-2010)
7.3.10
6.3.10
Porque hoje é sábado
Besouro da morte
Quando se ouve o besouro da morte a maldição acontece.
A maldição acaba conosco e nos leva aos sete palmos de terra.
Isso a gente nunca aprende na escola.
Continuemos com os feitiços.
Sempre se pode achar alguém mais adequado
e ele terá um olho verde e um azul.
Pensei que não quisesse desistir.
E se não ser normal denota-se a virtude,
aonde se pode ir?
Sempre será tarde...
Um marido que nunca se pode deixar de beijar.
E eles se amam.
Como se pode pegar alguma coisa?
Não faz isso comigo, não!
As laranjas foram jogadas pra longe
e morre-se por ser amado demais
Querer de volta?
E mesmo que voltasse
não seria mais ele...
Seria de outra natureza.
Estaria no meu sangue.
Como estou no teu.
(Edison da Cruz Salaki)
Quando se ouve o besouro da morte a maldição acontece.
A maldição acaba conosco e nos leva aos sete palmos de terra.
Isso a gente nunca aprende na escola.
Continuemos com os feitiços.
Sempre se pode achar alguém mais adequado
e ele terá um olho verde e um azul.
Pensei que não quisesse desistir.
E se não ser normal denota-se a virtude,
aonde se pode ir?
Sempre será tarde...
Um marido que nunca se pode deixar de beijar.
E eles se amam.
Como se pode pegar alguma coisa?
Não faz isso comigo, não!
As laranjas foram jogadas pra longe
e morre-se por ser amado demais
Querer de volta?
E mesmo que voltasse
não seria mais ele...
Seria de outra natureza.
Estaria no meu sangue.
Como estou no teu.
(Edison da Cruz Salaki)
5.3.10
4.3.10
3.3.10
Poema da resolução
Da força falsa, como em um cadafalso, estou.
Mambembe de bomba na mão.
Atônito de tanto sertão.
Ridículo.
Perdi o traquejo na hora de pontuar,
serestar,
fornicar,
endemoniar os restos desta rota em que
r-a-s-t-e-j-o
com medo.
Muito medo.
Medo:
a) dos dedos de Deus;
b) dos sonhos assanhados;
c) das gentes ingratas que perderam o despertador;
d) de mim, quando não me sou mais.
Hoje decidi interromper meu sono, para sempre.
Porque o mundo é daqueles que espantam.
Mambembe de bomba na mão.
Atônito de tanto sertão.
Ridículo.
Perdi o traquejo na hora de pontuar,
serestar,
fornicar,
endemoniar os restos desta rota em que
r-a-s-t-e-j-o
com medo.
Muito medo.
Medo:
a) dos dedos de Deus;
b) dos sonhos assanhados;
c) das gentes ingratas que perderam o despertador;
d) de mim, quando não me sou mais.
Hoje decidi interromper meu sono, para sempre.
Porque o mundo é daqueles que espantam.
2.3.10
No radinho de pilha
"Só que você foi embora cedo demais
E eu continuo aqui com meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você em dias assim"
1.3.10
Para começar a semana
"Quando, depois de anos e anos de procura, encontra-se um livro raro, o coração bate mais forte. Sente-se uma emoção grande, mas não se pode deixar que ela transpareça diante do livreiro."José Ephim Mindlin (1914-2010)
28.2.10
27.2.10
Porque hoje é sábado
1956
canto mortífero
escurece a noite
aonde a luz de 1956
sem peso, sem cor
melodia monástica
encapuzados no espaço asséptico
não se para
aglomerados como notas
brancas na noite
negro no dia
sórdida espécie
colméia em véu
não suprima
a lâmina
o corte
se para
morte
(Edison da Cruz Salaki)
canto mortífero
escurece a noite
aonde a luz de 1956
sem peso, sem cor
melodia monástica
encapuzados no espaço asséptico
não se para
aglomerados como notas
brancas na noite
negro no dia
sórdida espécie
colméia em véu
não suprima
a lâmina
o corte
se para
morte
(Edison da Cruz Salaki)
25.2.10
circular
o desânimo
balança
o abraço
contamina
o animal
apressa
o apreço
alimenta
o hálito
antecipa
o mapa
desanima
o balanço
abraça
o contágio
sobrevive
a pressa
aprecia
o alimento
halita
o antes
mapeia
a ideia.
balança
o abraço
contamina
o animal
apressa
o apreço
alimenta
o hálito
antecipa
o mapa
desanima
o balanço
abraça
o contágio
sobrevive
a pressa
aprecia
o alimento
halita
o antes
mapeia
a ideia.
Tristeza
Para um colecionador de madrugadas, não importa o tamanho da noite
Nem se ela é quebradiça
Ou se queda solitária.
Quando no horizonte a única ponte liga o vazio à tristeza
Não há nada que sirva
De consolo.
A perda é uma pena
Pedra
Pedra.
Nem se ela é quebradiça
Ou se queda solitária.
Quando no horizonte a única ponte liga o vazio à tristeza
Não há nada que sirva
De consolo.
A perda é uma pena
Pedra
Pedra.
21.2.10
20.2.10
Porque hoje é sábado
Não sei quantas almas tenho
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
(Fernando Pessoa)
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
(Fernando Pessoa)
19.2.10
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