15.3.10

A forma e a formiga

Era apenas uma formiga que se escorregava
-- não cabia em sonho, nem em tédio, nem no chão --
de tal forma inconstante que se perdia.

Dentro dela, as aspirações mais loucas
e o ácido fórmico.

Então veio o formicida.

14.3.10

Domingo, foto

Fórmula Indy em São Paulo, 2010
Clique de Hélvio Romero (1958- )

13.3.10

Porque hoje é sábado

A namorada

Havia um muro alto entre nossas casas.
Difícil de mandar recado para ela.
Não havia e-mail.
O pai era uma onça.
A gente amarrava o bilhete numa pedra presa por
um cordão
E pinchava a pedra no quintal da casa dela.
Se a namorada respondesse pela mesma pedra
Era uma glória!
Mas por vezes o bilhete enganchava nos galhos da goiabeira
E então era agonia.
No tempo do onça era assim.

(Manoel de Barros)

12.3.10

Seção da sessão



Motores.

11.3.10

Instante da estante

MORAES, Ana Carolina Carvalho Dias de; PELLEGRINI, Carla Sgobbi; PORTELLA, Julia Figueiredo. Um balão na Terra. São Paulo: Viva e Deixe Viver, 2006.

10.3.10

Um quadro às quartas

Le Blute-Fin Mill, 1886
Obra de Vincent Willem Van Gogh (1853-1890)

9.3.10

No radinho de pilha



"De tão triste essa tristeza
Enche de treva a natureza"

8.3.10

Para começar a semana

"Se você tem o dinheiro para comprar esse livro, compra, porque o dinheiro volta, mas esse livro pode não voltar."

7.3.10

Domingo, foto

Jardim Romano, 2010
Clique de Hélvio Romero (1958- )

6.3.10

Porque hoje é sábado

Besouro da morte

Quando se ouve o besouro da morte a maldição acontece.
A maldição acaba conosco e nos leva aos sete palmos de terra.
Isso a gente nunca aprende na escola.
Continuemos com os feitiços.
Sempre se pode achar alguém mais adequado
e ele terá um olho verde e um azul.
Pensei que não quisesse desistir.
E se não ser normal denota-se a virtude,
aonde se pode ir?
Sempre será tarde...
Um marido que nunca se pode deixar de beijar.
E eles se amam.
Como se pode pegar alguma coisa?
Não faz isso comigo, não!
As laranjas foram jogadas pra longe
e morre-se por ser amado demais
Querer de volta?
E mesmo que voltasse
não seria mais ele...
Seria de outra natureza.
Estaria no meu sangue.
Como estou no teu.

(Edison da Cruz Salaki)

5.3.10

Seção da sessão



"É nóis na pista."

1 certeza

urgente
é o beijo, o gracejo, o elogio.
o resto é ágio.

4.3.10

Instante da estante

BARBARA, Vanessa. O livro amarelo do terminal. São Paulo: Cosac Naify, 2008.

3.3.10

Poema da resolução

Da força falsa, como em um cadafalso, estou.
Mambembe de bomba na mão.
Atônito de tanto sertão.
Ridículo.

Perdi o traquejo na hora de pontuar,
serestar,
fornicar,
endemoniar os restos desta rota em que
r-a-s-t-e-j-o
com medo.

Muito medo.
Medo:
a) dos dedos de Deus;
b) dos sonhos assanhados;
c) das gentes ingratas que perderam o despertador;
d) de mim, quando não me sou mais.

Hoje decidi interromper meu sono, para sempre.
Porque o mundo é daqueles que espantam.

Um quadro às quartas

O linguiço e a franga, 2010
Obra de Karina Segantini (1980- )

2.3.10

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Do @diegomaia, this blog is a movie.

No radinho de pilha



"Só que você foi embora cedo demais
E eu continuo aqui com meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você em dias assim"

1.3.10

Uma biblioteca

Biblioteca de São Paulo. São Paulo, Brasil.

Para começar a semana

"Quando, depois de anos e anos de procura, encontra-se um livro raro, o coração bate mais forte. Sente-se uma emoção grande, mas não se pode deixar que ela transpareça diante do livreiro."

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O blog do Tom Zé, o cara dos instromzémentos.

28.2.10

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Coração de ninguém. Um blog literário, no bom sentido, no ótimo sentido.

27.2.10

Porque hoje é sábado

1956

canto mortífero
escurece a noite
aonde a luz de 1956
sem peso, sem cor
melodia monástica
encapuzados no espaço asséptico
não se para
aglomerados como notas
brancas na noite
negro no dia
sórdida espécie
colméia em véu
não suprima
a lâmina
o corte
se para
morte

(Edison da Cruz Salaki)

25.2.10

circular

o desânimo
balança
o abraço
contamina
o animal
apressa
o apreço
alimenta
o hálito
antecipa
o mapa
desanima
o balanço
abraça
o contágio
sobrevive
a pressa
aprecia
o alimento
halita
o antes
mapeia

a ideia.

Tristeza

Para um colecionador de madrugadas, não importa o tamanho da noite
Nem se ela é quebradiça
Ou se queda solitária.

Quando no horizonte a única ponte liga o vazio à tristeza
Não há nada que sirva
De consolo.

A perda é uma pena
Pedra
Pedra.

21.2.10

Domingo, foto

Passarela, 2010
Clique de Hélvio Romero (1958- )

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Muito, da Mariana Delfini.

20.2.10

Porque hoje é sábado

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

(Fernando Pessoa)

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Blog do Torero.

19.2.10

Seção da sessão



TV Pirata (via @alvaroleme).

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Inspirações de design: Toxel.