3.4.09
VINTE E SETE DE MARÇO
Surpresa é quando uma repetição acontece tão pela primeira vez que nem pode ainda ser chamada de repetição. Uma vez vi uma borboleta bater as asas pela primeira vez.
2.4.09
13. Pequeno monólogo assombroso em um sebo sujo
No sebo sujo, um monólogo enviesado:
- Quero um livro que me ensine Cálculo Integral. Tem?
Silêncio.
- Por que não tem nada que ensine Cálculo Integral?
Silêncio novamente.
- Por favor, um livro de Cálculo Integral?
Silêncio persistente.
- Como é que se faz Cálculo Integral, moça?
Silêncio absoluto, inegável, insistente.
- Quero um livro que me ensine Cálculo Integral. Tem?
Silêncio.
- Por que não tem nada que ensine Cálculo Integral?
Silêncio novamente.
- Por favor, um livro de Cálculo Integral?
Silêncio persistente.
- Como é que se faz Cálculo Integral, moça?
Silêncio absoluto, inegável, insistente.
1.4.09
31.3.09
30.3.09
Na baixa madrugada
na baixa madrugada
os sonhos atrasam
porque apreendem
os tropeços prosaicos.
na baixa madrugada
cada estrela que se abre
transmite o tremor
da sólida morte cruel.
na baixa madrugada
todo mundo é solitário.
os sonhos atrasam
porque apreendem
os tropeços prosaicos.
na baixa madrugada
cada estrela que se abre
transmite o tremor
da sólida morte cruel.
na baixa madrugada
todo mundo é solitário.
29.3.09
27.3.09
26.3.09
VINTE E SEIS DE MARÇO
É como o prazer de receber um tratamento de realeza.
Congele o natural do verão.
É duca!
Aqui tem.
Não dá pra resistir.
Congele o natural do verão.
É duca!
Aqui tem.
Não dá pra resistir.
VINTE E CINCO DE MARÇO
Entre placas, pedras e pratos quebrados, os estragos são cruéis na metrópole grande. Revoltas compram dinheiro -- aqui chamado de grana.
São medos que se acumulam a cada fuga para lugar algum. Estar em casa e querer ir embora pra nunca mais voltar.
Arrepios.
Insegurança.
Tédio ao cubo.
Hoje encontrei uma história escondida numa bituca de cigarro. Desprezível. Desprezada na suja sarjeta única, ainda que comum.
São medos que se acumulam a cada fuga para lugar algum. Estar em casa e querer ir embora pra nunca mais voltar.
Arrepios.
Insegurança.
Tédio ao cubo.
Hoje encontrei uma história escondida numa bituca de cigarro. Desprezível. Desprezada na suja sarjeta única, ainda que comum.
VINTE E TRÊS DE MARÇO
Com quantos poemas se faz uma vida nova? Pergunto pela essência, mas nada encontro que não seja repetição, ecos e sobressaltos enviesados.
Um dia, conheci um homem que guardava seus segredos na geladeira -- "assim demoram mais para se estragarem" -- e ninguém nunca desconfiou.
No outro, foi a vez de um sujeito fissurado em cálculo integral puxar conversa, num sebo triste e quase vazio da Barra Funda. Era uma mistura de sebo com brechó, aliás.
Tudo poderia virar poema. Mas enquanto não souber com quantos se faz uma vida nova, nenhum vale a pena.
Um dia, conheci um homem que guardava seus segredos na geladeira -- "assim demoram mais para se estragarem" -- e ninguém nunca desconfiou.
No outro, foi a vez de um sujeito fissurado em cálculo integral puxar conversa, num sebo triste e quase vazio da Barra Funda. Era uma mistura de sebo com brechó, aliás.
Tudo poderia virar poema. Mas enquanto não souber com quantos se faz uma vida nova, nenhum vale a pena.
VINTE E DOIS DE MARÇO
Sou um homem supérfluo. Porque não virei agricultor para alimentar a humanidade nem pedreiro para abrigá-la, muito menos médico para curá-la.
Acredito que um homem supérfluo não tenha muita salvação.
Acredito que um homem supérfluo não tenha muita salvação.
VINTE E UM DE MARÇO
Duas coisas eu queria esta noite: tempo e compreensão.
Tempo para escrever versos mais bonitos.
Compreensão para amar de um jeito mais bonito.
Mas não os tenho. Então olho o desassossego dessa janela que me persegue com sua vista fabulosa e tento encontrá-los no horizonte multicolorido da noturna metrópole.
Diuturnamente pago o preço por viver na melhor cidade de América do Sul.
Tempo para escrever versos mais bonitos.
Compreensão para amar de um jeito mais bonito.
Mas não os tenho. Então olho o desassossego dessa janela que me persegue com sua vista fabulosa e tento encontrá-los no horizonte multicolorido da noturna metrópole.
Diuturnamente pago o preço por viver na melhor cidade de América do Sul.
VINTE DE MARÇO
O branco: outro cigarro.
O preto: apague a luz.
O azul: olha só esse céu.
O amarelo: vontade de comer banana.
O vermelho: morreu ao atravessar a rua.
O laranja: coloque o lixo pra fora.
O roxo: é quaresma.
O verde: viva o Palmeiras.
O preto: apague a luz.
O azul: olha só esse céu.
O amarelo: vontade de comer banana.
O vermelho: morreu ao atravessar a rua.
O laranja: coloque o lixo pra fora.
O roxo: é quaresma.
O verde: viva o Palmeiras.
DEZENOVE DE MARÇO
Um alívio não se vive nem se coleciona. Participa-se, como se fosse uma missa. O grande problema é que hoje esquecemos todas as orações.
Pior que padecer na dor é perecer mudo.
Pior que perecer mudo é parecer errado.
Pior que padecer na dor é perecer mudo.
Pior que perecer mudo é parecer errado.
25.3.09
24.3.09
A quem interessar possa
Diário poético continua. Mas, como desde o primeiro dia, antes no papel. Quando passar a preguiça, desovo tudo aqui.
No radinho de pilha
"Work it harder, make it better, do it faster, makes us stronger
More than ever hour after our work is never over"
23.3.09
22.3.09
20.3.09
Coisas que caem do céu #2
- Aviões sem asa;
- Fezes de seres voadores;
- OVNIs sem combustível;
- Canivetes abertos;
- Pianos.
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