20.3.09

Seção da sessão



Acerca de filosofias que acontecem dentro das cabeças solitárias.

19.3.09

1. Teorias de Base - Poesia, um caso de primeiridade

A experiência de mergulhar em um poema, mergulhar fundo, perder a vontade e a necessidade de respirar tamanha a beleza e o prazer da poesia, que chamamos outrora de primeiridade, também é tratada por Paz: “Os muito poucos que lêem poemas se internam em realidades incomensuráveis e, nesses espelhos de palavras, descobrem sua própria infinitude. A leitura de um poema liga o leitor a uma zona transpessoal e, no sentido íntegro da palavra, imensa. Esse contato é quase sempre breve” (PAZ, 1993:78).

Coisas que caem do céu

  • Estrelas;
  • Sonhos;
  • Chuva;
  • Tombos;
  • Ilusões.

Instante da estante

PRATA, Mario. Mas será o Benedito?. São Paulo: Globo, 1996.

18.3.09

1. Teorias de Base - Poesia, um caso de primeiridade

“Pela voz do poeta fala – advirto: fala, não escreve – a outra voz. É a voz do poeta trágico e a do bufão, da solitária melancolia e da festa, é a risada e o suspiro, a voz do abraço dos amantes e a de Hamlet diante do crânio, a voz do silêncio e a do tumulto, louca sabedoria e sensata loucura, sussurro de confidência na alcova e cheiro de multidão na praça. Ouvir essa voz é ouvir o próprio tempo, o tempo que passa e que apesar disso, volta transformando em umas quantas sílabas cristalinas”. (PAZ, 1993:73)

Sonho

Sonhei com você esta noite. Eu havia escrito um romance e você me chamou até sua mesa para comentá-lo. Tinha nas mãos um exemplar do livro, publicado. Abriu e me mostrou todas as páginas com riscos vermelhos. Então me disse:

- Tirei todos os adjetivos infantis que você usou.

Acordei assustado.

Um quadro às quartas

Sem título, 1998
Obra de Milena Zülzke Galli (1977- )

DEZOITO DE MARÇO

Março é um mês vazio.

DEZESSETE DE MARÇO

Março é um mês macio.

DEZESSEIS DE MARÇO

Tem dias, como hoje, em que me dedico a construir enormes vazios. Nunca ficam prontos. Nunca ficam cheios.
Às vezes falta um pedaço de tarde, noutras é a noite que não cai bem.
Os piores são os dias em que a manhã, cheia de manha, já nasce estranha, cabisbaixa, como se tomada por um pensamento adunco de que não é primavera. Não, não é primavera.

17.3.09

1. Teorias de Base - Poesia, um caso de primeiridade

No meio de outro caminho, o caminho da Segunda Guerra, enquanto o bambinável mundo dos bambas se matava em bombas, em Zurique o dadaísta Hugo Ball redescobriu o falar em línguas dos cristãos primitivos, dos agnósticos e de outras religiões. Enquanto isso, cubofuturistas de Moscou e Petrogrado exploravam a glossolalia, chamando-a linguagem transracional. Afinal, a tradução da linguagem em meros ritmos emissores de sentido difuso é resgate ou quebra da tradição? A poesia é filha da linguagem racional humana, apesar de a negar!

QUINZE DE MARÇO

Preciso me lembrar da história do semimendigo que flagrei no sebo mequetrefe da Barra Funda assoviando baixinho e procurando aprender cálculo integral nalgum livro velho.

CATORZE DE MARÇO

Quero ir embora, mesmo após descobrir que estou em minha casa.

TREZE DE MARÇO

Cai um pedaço da noite e do telhado. Na cabeça de quem, não sei.

DOZE DE MARÇO

Quanto andares tem o elevador? Quantos dos andares têm elevador?
Para quem odeia os ires, os vires, os desencontros de anteontem e os segredos, um lago será sempre um lago ou um copo d'água sozinho sobedescendo no elevador.

No radinho de pilha



"Eu nasci naquela serra
Num ranchinho beira chão"

16.3.09

Para começar a semana

"A leitura traz ao homem plenitude, o discurso, segurança e a escrita, exatidão."

Francis Bacon (1561-1626)

1. Teorias de Base - Poesia, um caso de primeiridade

E foi assim que, no meio do caminho desta história maluca, o dramatísme surgiu em Paris, 1911, depois chamado de simultaneísme. Sob a influência excêntrica dos futuristas, poetas reuniam-se para dizer ao mesmo tempo as diferentes partes de um poema. “A solução futurista foi mais brutal: deram ‘concertos’ nos quais a voz humana reduzida a seus elementos sonoros, da interjeição ao suspiro, se misturava a outros ruídos urbanos, como o das teclas nas máquinas de escrever” (PAZ, 1993:49).

Dente-de-leão

Gosto de imaginar que terei ideias geniais um dia. Para assoprá-las longe, poder desprezá-las sem remorso algum de ser-me. Alguém aí tem um sonho? Cabe no meu bolso?

15.3.09

Domingo, foto

Meu livro é uma vida aberta #4, 2003
Clique de Edison Veiga (1984- )

14.3.09

1. Teorias de Base - Poesia, um caso de primeiridade

Deslumbrados com o acaso e o ocaso das instituições, poetas e profetas do início do século vinte ousaram como a física que esfacelava objetos materiais, como a geometria que metia fogo em tudo que era euclidiano. Novo preferido tema dos poetas, pintores e artistas em geral: o espaço-tempo. Nunca mais a literatura foi o que já era sido. Fluxos de consciência e outras loucuras nada lineares. Quebra da quebra da quebra da quebra da quebra... Um quebra-pau de paradigmas e estereótipos como não se havia visto então.

13.3.09

Seção da sessão



Porque nunca crescemos.

1. Teorias de Base - Poesia, um caso de primeiridade

Outro teórico importante, o poeta Octavio Paz: a origem da poesia é a palavra falada, tradição oral, tradução visceral do sentimento inato. Ele fala de “uma delícia ao mesmo tempo infantil e cósmica, indo da confidência à exclamação e desta à profecia” (PAZ, 1993:31). Segue: “uma fraternidade entre os homens, os seres e as coisas, sejam astros ou ratos, tigres ou locomotivas, árvores ou sonatas...” (PAZ, 1993:31).

12.3.09

1. Teorias de Base - Poesia, um caso de primeiridade

As palavras pertencem ao domínio do audível. Baumgarten acredita que daí vem elas parirem idéias sensíveis. Pode-se dizer que a poesia é profunda identidade icônica sonora. “É um procedimento poético proporcionar à audição o auge do prazer” (BAUMGARTEN, 1993:45).

Instante da estante

DUARTE, Orlando. Palmeiras: o alviverde imponente. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2008.

11.3.09

Um quadro às quartas

Não quero impor limites, 1999
Obra de Milena Zülzke Galli (1977- )

1. Teorias de Base - Poesia, um caso de primeiridade

Santander, na Espanha, saudade

Decidi que, a partir de agora, esporadicamente irei pegar o título do último post de algum dos blogs que eu frequento e escrever um texto aleatório sobre o mesmo assunto. Como você vai saber? Porque o marcador, (*cinzas) aí embaixo, vai ser "tal título".
E com este, que melhor seria enquadrado na tag "nota da redação", inauguro a seção.
dor de cabeça
e uma tontura enorme me atormenta:
- adeus?

ONZE DE MARÇO

Alguns maus humores me denigrem. A maioria deixa cicatrizes indeléveis.
Pense bem antes de falar comigo.
Pense melhor ainda antes de me silenciar.
Alguns maus humores me ferem. Algumas desconversas nos destroem por inteiro, inteiros, a dupla toda, o casal completo.
Porque viver não é repetir, com um sorrisinho mentiroso nos lábios, slogan de comercial de margarina.