10.3.09
1. Teorias de Base - Poesia, um caso de primeiridade
Baumgarten trata da sensação. Estética do sentir. O poeta tem que conseguir mascar nuvens que nem chiclete e fazer com elas bolas feito bolhas de sabão que não se estourem no ar. Dá pra acreditar que há um paralelo interessante entre Peirce, Pound e Baumgarten.
NOVE DE MARÇO
Da coleção de cartazes inúteis, que as pessoas teimam em manter em seus cérebros.
- Nos seus tem letras?
- Só em dois. Nos outros, nada.
- Nem figurinhas?
- Nada. Estão em branco. Embora alguns sejam de cartolina amarela, verde ou azul.
- Daqueles tons clarinhos sem graça, né?
- Isso. Bem cartolina.
- Às vezes a vida toda é de pensamento-cartolina.
- Nos seus tem letras?
- Só em dois. Nos outros, nada.
- Nem figurinhas?
- Nada. Estão em branco. Embora alguns sejam de cartolina amarela, verde ou azul.
- Daqueles tons clarinhos sem graça, né?
- Isso. Bem cartolina.
- Às vezes a vida toda é de pensamento-cartolina.
9.3.09
Minha cabeça, hoje
Estranho demais isso de saudades. Nunca trabalhei simultaneamente com você aqui, mas percebo restos de sua vida nos corredores, nos bebedouros d'água, nas cadeiras e mesas e pessoas.
De lá, saímos ao mesmo tempo, praticamente. Como uma alma bipartida, um campo semântico esfarrapado ou um sentimento arguto podado ainda na infância.
Haverá um reencontro? Teremos um tempo? Novo momento? Um abecedário novo?
Quando a luz se apaga, o que sobra são as lembranças. Todas tristes.
De lá, saímos ao mesmo tempo, praticamente. Como uma alma bipartida, um campo semântico esfarrapado ou um sentimento arguto podado ainda na infância.
Haverá um reencontro? Teremos um tempo? Novo momento? Um abecedário novo?
Quando a luz se apaga, o que sobra são as lembranças. Todas tristes.
Cápsulas
Em forma de primavera, uma cicatriz bonita ela tinha perto do umbigo. Do lado esquerdo, como que apontando contra quem visse. Mas não um contra do mal; um contra para haver diálogo, simplesmente.
O resto era sobremesa. Em forma de cápsulas arrependidas, todos os doces do mundo.
O resto era sobremesa. Em forma de cápsulas arrependidas, todos os doces do mundo.
8.3.09
OITO DE MARÇO
Sempre quis ser um vândalo das palavras. Utilizá-las de modo pontiagudo, sagaz, impertinente.
Mas tudo o que venho conseguindo é destruir os objetos da casa.
Mas tudo o que venho conseguindo é destruir os objetos da casa.
SEIS DE MARÇO
Observo-te dormindo pesadamente enquanto sou tomado por tristes pensamentos:
- Quem de nós dois terá coragem de morrer primeiro?
- Quem restará?
- O que vai doer mais?
- Quem de nós dois terá coragem de morrer primeiro?
- Quem restará?
- O que vai doer mais?
CINCO DE MARÇO
Permissividade vigiada. Na era das câmeras espalhadas por tudo que é canto, muitas fantasias sexuais não têm mais coragem de ser realizadas. Mas, como para qualquer sempre há um senão, diversas outras podem ocorrer justamente pela abundância de câmeras.
6.3.09
12. Nadas de arame
A cidade assim dá de comer aos pobres, enquanto os ricos passam fome em seus castelos rodeados por macacos endiabrados. Agilberto, um reles catador de lixo, entretém-se colecionando belos nadas de arame, um mais bonito que o outro, um mais perfeito que nenhum. É ele quem os constrói.
- Que tanto faz?
- Nada.
- Isso que não estou vendo não pode ser nada.
- Mas é.
- Você vende?
- Não, só vejo. Se vendesse precisaria pôr à venda.
- E por que não põe?
- Porque se colocasse, não mais veria.
- Como?
- A venda me taparia os dois olhos humanos, os dois olhos de vidro e os dois olhos de pensamento.
- Você só tem dois olhos de pensamento?
- Só.
- Dizem que a mosca tem quatro mil pares de olhos...
- Mentira.
- Não é não. Eu li numa revista.
- Mais mentira ainda.
- Talvez...
- E depois, você leu errado. O que ela tem é quatro mil facetas em cada olho.
- Descarada!
- Descarada.
- Para olhar melhor, minha netinha. Para olhar melhor... E crau!
- Ahn?
- Pior mesmo sou eu, que tenho quatro mil moscas em cada olho.
- Cada um, cada um.
- Cada quatro mil, cada quatro mil, cada quatro mil...
- Cada um tem o olhar que merece.
- Matei uma!
Agilberto continuou construindo nadas de arame.
- Que tanto faz?
- Nada.
- Isso que não estou vendo não pode ser nada.
- Mas é.
- Você vende?
- Não, só vejo. Se vendesse precisaria pôr à venda.
- E por que não põe?
- Porque se colocasse, não mais veria.
- Como?
- A venda me taparia os dois olhos humanos, os dois olhos de vidro e os dois olhos de pensamento.
- Você só tem dois olhos de pensamento?
- Só.
- Dizem que a mosca tem quatro mil pares de olhos...
- Mentira.
- Não é não. Eu li numa revista.
- Mais mentira ainda.
- Talvez...
- E depois, você leu errado. O que ela tem é quatro mil facetas em cada olho.
- Descarada!
- Descarada.
- Para olhar melhor, minha netinha. Para olhar melhor... E crau!
- Ahn?
- Pior mesmo sou eu, que tenho quatro mil moscas em cada olho.
- Cada um, cada um.
- Cada quatro mil, cada quatro mil, cada quatro mil...
- Cada um tem o olhar que merece.
- Matei uma!
Agilberto continuou construindo nadas de arame.
5.3.09
Brainstorm inútil
A CIDADE EM TEMPO REAL E IMAGINÁRIO
A CIDADE ONDE TUDO ACONTECE
A CIDADE DE DEUS E O MUNDO
A CIDADE ASSIM DÁ DE (COMER)
A CIDADE EM SI
A CIDADE ENSIMESMADA
A CIDADE COMO ELA É
A CIDADE NERVOSA E CAÓTICA COMO DOIS BRAÇOS
A CIDADE MAIS BONITA DO MUNDO
A CIDADE DOS PAULISTANOS
A CIDADE SONHADA POR CORTÁZAR
A CIDADE DO EDISON VEIGA
A CIDADE, SEUS MISTÉRIOS, SEUS SEGREDOS
A CIDADE MORENA, TORRADA DE SOL
A CIDADE LINDA
A CIDADE: NOTÍCIAS, CURIOSIDADES E DICAS
A CIDADE: MANUAL DE INSTRUÇÕES
A CIDADE DO BRANCA
A CIDADE-IMPÉRIO DO BRANCA
A CIDADE DA BRONCA
A CIDADE E SEUS TUDOS
A CIDADE, NADA MAIS
A CIDADE
A CIDADE DE SÃO PAULO
REVELAÇÕES DA CIDADE
PAULISTICES, CURIOSIDADES, DICAS E ALGUMAS NOTÍCIAS
PORÉNS, CONTUDOS, ENTRETANTOS E ALGUNS DEVANEIOS
A CIDADE ONDE TUDO ACONTECE
A CIDADE DE DEUS E O MUNDO
A CIDADE ASSIM DÁ DE (COMER)
A CIDADE EM SI
A CIDADE ENSIMESMADA
A CIDADE COMO ELA É
A CIDADE NERVOSA E CAÓTICA COMO DOIS BRAÇOS
A CIDADE MAIS BONITA DO MUNDO
A CIDADE DOS PAULISTANOS
A CIDADE SONHADA POR CORTÁZAR
A CIDADE DO EDISON VEIGA
A CIDADE, SEUS MISTÉRIOS, SEUS SEGREDOS
A CIDADE MORENA, TORRADA DE SOL
A CIDADE LINDA
A CIDADE: NOTÍCIAS, CURIOSIDADES E DICAS
A CIDADE: MANUAL DE INSTRUÇÕES
A CIDADE DO BRANCA
A CIDADE-IMPÉRIO DO BRANCA
A CIDADE DA BRONCA
A CIDADE E SEUS TUDOS
A CIDADE, NADA MAIS
A CIDADE
A CIDADE DE SÃO PAULO
REVELAÇÕES DA CIDADE
PAULISTICES, CURIOSIDADES, DICAS E ALGUMAS NOTÍCIAS
PORÉNS, CONTUDOS, ENTRETANTOS E ALGUNS DEVANEIOS
4.3.09
QUATRO DE MARÇO
Pretendo ganhar a vida construindo cataventos e a morte fabricando espelhos. Ambos têm simbologia forte o bastante para que qualquer existência valha a pena.
TRÊS DE MARÇO
Calhau de pensamentos, um receio absurdo me persegue desde quase dois anos atrás. No começo, tentava apagar. Com o tempo, me acostumei.
De tal forma que se me tornou necessário.
Quando em seu lugar entra um anúncio das Casas Bahia, confesso que sinto falta. Parece que meu pensamento fica desorganizado demais com a rediagramação.
De tal forma que se me tornou necessário.
Quando em seu lugar entra um anúncio das Casas Bahia, confesso que sinto falta. Parece que meu pensamento fica desorganizado demais com a rediagramação.
De alhos, bugalhos e hálitos
coleciono olhares melhores
nos piores álbuns.
cada página, um rasgão misógino
sem ágio
nem agilidade alguma.
um olhar me alimenta,
outro me habita.
nenhum me hálita.
contra mau álhito
não há olhos
que resistam.
nos piores álbuns.
cada página, um rasgão misógino
sem ágio
nem agilidade alguma.
um olhar me alimenta,
outro me habita.
nenhum me hálita.
contra mau álhito
não há olhos
que resistam.
3.3.09
2.3.09
PRIMEIRO DE MARÇO
O poeta enorme vestiu um casaco preto e preparou-se para cometer suicídio. Seria o quinto em sua carreira, com mais sobressaltos que saltos.
VINTE E OITO DE FEVEREIRO
Fora de mim, um poeta enorme desmancha-se após ser desancado por versos livres.
Apanha uma caneta -- sua arma -- e desfere-na conra o papel -- sua vítima.
Apanha uma caneta -- sua arma -- e desfere-na conra o papel -- sua vítima.
VINTE E SETE DE FEVEREIRO
O desconhecer e ter. O não-querer e ter. O faltar e ter. O não-poder e ter.
Mazelas da sociedade de consumo.
Mazelas da sociedade de consumo.
1.3.09
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MARIANA, Maria. 
